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    January 31

    Da Série: Notícias que não precisávamos saber... MESMO!!!

    Mostra britânica reúne obras com pele humana
    Reprodução BBC


    Uma exposição que reúne esculturas feitas com pele humana promete despertar interesse e polêmica em uma galeria na cidade de Liverpool, na Inglaterra. Ao todo, 15 artistas internacionais participam da exposição, que fica em cartaz de 1º de fevereiro a 30 de março no centro cultural FACT.

    Veja a galeria de imagens.

    A mostra Sk-interfaces inclui um casaco feito com tecido cultivado em laboratório que mescla células humanas e de várias outras espécies.

    A obra, intitulada Harlequin Coat, é da artista ORLAN, conhecida por ter alterado cirurgicamente seu próprio rosto buscando faces associadas a culturas não-ocidentais.

    Tecidos híbridos
    Outro trabalho exposto na galeria, Victimless Leather (em tradução livre, Couro Sem Vítima), explora a possibilidade de se produzir couro sem matar um animal.

    Três casacos em tamanho miniatura são produzidos ao vivo pelos artistas Oron Catts e Ionat Zurr a partir de pele cultivada in vitro na própria galeria.

    Os artistas franceses Marion Laval-Jeantet e Benoît Mangin criaram um tecido híbrido feito com células extraídas de suas próprias peles mescladas com células da pele de porcos.

    O tecido, cultivado em laboratório, foi tatuado e será enxertado na pele de colecionadores de arte para que eles possam fisicamente "vestir e absorver a obra", diz um texto elaborado para explicar os objetivos da exposição.

    Reprodução BBC
    O artista Stelarc implantou uma orelha no braço e agora pretende acoplar um microfone ao órgão. O microfone será conectado à internet para que as pessoas possam ouvir o que "a orelha" está ouvindo.

    A obra da americana Julia Reodica usa células extraídas da vagina da artista e de músculos de animais para criar "himens de designer".

    As esculturas são apresentadas como produtos que deveriam ser comercializados como objetos de "re-virginização", abordando temas como a pureza e o valor atribuído à virginidade feminina em diferentes culturas.

    Polêmica
    A exposição Sk-interfaces aborda algumas das questões mais polêmicas da atualidade, fundindo ciência, tecnologia e arte. Como resultado, está atraindo atenção, mas também polêmica.

    John Ashton, secretário de Saúde Pública da região noroeste da Inglaterra, afirma que, para muitos, um evento como esse poderia ser considerado de extremo mau gosto. Para Ashton, a exposição deixa perguntas no ar.

    "Será que artistas têm alguma responsabilidade em relação a como seu público se sente a respeito das coisas?", questiona o secretário.

    "O que antes era entendido como uma superfície que representa o limite do eu, e entre o dentro e o fora, hoje pode ser visto como uma fronteira instável", diz Jens Hauser, curador da exposição.

    Oron Catts, uma das artistas que participam da mostra, admite que a tecnologia que permite o cultivo de tecidos vivos em laboratório, e que forma a base da exposição, é perturbadora.

    "Achei a tecnologia promissora, provocante e também muito perturbadora", disse Catts. "Decidi usar essa tecnologia como uma forma de arte e tentar criar algo a partir de tecidos vivos."
    January 30

    Forbes da Música

    Madonna lidera ranking de cantoras mais ricas

    Madonna lidera o ranking das cantoras mais ricas do mundo, de acordo com uma lista publicada pela revista americana Forbes. Segundo dados divulgados pela publicação, a estrela da música pop arrecadou US$ 72 milhões (cerca de R$ 128 milhões) entre junho de 2006 e junho de 2007.

    Esta é a primeira vez que a Forbes divulga o ranking Cash Queens of Music (Rainhas do Dinheiro na Música, em tradução livre). A revista selecionou as 20 cantoras mais bem pagas da indústria fonográfica durante o período de um ano. Juntas, as 20 cantoras ganharam cerca de US$ 420 milhões (R$ 747 milhões) entre junho de 2006 e 2007.

    Logo atrás de Madonna, em segundo lugar, ficou a cantora e atriz Barbra Streisand, a cantora mais velha da lista. Ela ganhou US$ 60 milhões (R$ 107 milhões) durante a primeira turnê desde que anunciou sua aposentadoria, em 2000.

    Lucros
    Para produzir o ranking, os especialistas da Forbes analisaram os lucros em mercadoria e a soma das vendas dos ingressos de shows, das vendas de discos e de lucros adicionais de itens como linhas de roupas, perfumes e participação em campanhas publicitárias.

    A publicação analisou apenas cantoras que estiveram ativas durante o período, ou seja, aquelas que lançaram um álbum ou filme.

    Em terceiro lugar, ficou a canadense Celine Dion, que arrecadou US$ 45 milhões (R$ 80 milhões) durante a temporada de shows A New Day, no cassino Ceasars Palace, em Las Vegas.

    Até mesmo a cantora Britney Spears, que teve sua vida pública conturbada nos últimos meses, entrou no ranking da Forbes.

    Ela ocupa a 14ª colocação, com renda de US$ 8 milhões (R$ 14 milhões) proveniente da venda de seu perfume, Curious, e de direitos autorais de antigos sucessos.

    A última colocação no ranking de 20 cantoras ficou com Norah Jones, que arrecadou US$ 5,5 milhões (R$ 9,7 milhões).

    January 29

    Custou!

    O diretor da Penitenciária, com ajuda de um megafone, diz aos presos no pátio:
     
    - Atenção! Chega de moleza! Chega de bandalheira!

    Quero todo mundo varrendo e limpando toda essa bagunça! Amanhã chega o presidente Lula ...
     
    Um dos presos comenta com outro:
     
    - Caramba!! Custou, mas encanaram o safado...

    Da Série: Notícias que não precisávamos saber...

    Congresso gastronômico celebra 'cozinha pobre' na Itália
    Reprodução BBC

    A cidade de Milão reúne até esta quarta-feira 60 chefs de cozinha de todo o mundo no congresso Identidades Gulosas. A idéia é discutir a qualidade dos alimentos, apresentar novas culturas culinárias e resgatar a importância do ingrediente genuíno e local.

    Os mestres da culinária ocupam parte do prédio da Bolsa de Valores de Milão, no centro da cidade, onde foi montada uma cozinha para a apresentação de um cardápio rico em diversidade e criatividade.

    “Na Itália pensamos que somos os melhores na cozinha, na matéria-prima, nos produtos, nos vinhos. Não é verdade", disse à BBC Brasil, Paolo Marchi, idealizador do Congresso. "A qualidade também existe na Finlândia, no Brasil, por exemplo. Basta conhecer as diferentes culturas que são interpretadas pelos cozinheiros”, disse.

    Um dos temas da edição deste ano é a valorização dos sabores da “pobreza”. O Brasil foi convidado como um cartão de visitas para a cozinha da América do Sul. O Congresso propõe a sua redescoberta sob a ótica da gastronomia local.

    “Esta sempre foi uma região do globo conhecida pela cozinha simples, férias baratas. Nunca a tomamos como uma cozinha importante, como a japonesa ou a espanhola", diz Paolo Marchi.

    "O brasileiro Alex Atala vai nos mostrar quanta seriedade e ingredientes excepcionais existem na América do Sul, e como os europeus devem olhar com mais respeito para eles. É como se a gente reduzisse a cozinha italiana à pizza”, afirmou o organizador.

    Responsabilidade
    Reprodução BBC
    O chef Alex Atala é um dos cozinheiros brasileiros que mais valorizam a cozinha do interior.
    O chef Alex Atala veio preparado com uma lição de culinária no seu menu de apresentação. Ele é um dos cozinheiros brasileiros que mais valorizam a cozinha do interior, no caso, a cabocla, do Amazonas.

    Sem perder de vista os ensinamentos dos europeus, ele lembra que não existe nada mais camponês do que a trufa, hoje um dos produtos mais caros do mundo.

    “Aqueles produtos que são pobres, simples, usados pelos caboclos, por exemplo, podem chegar num patamar mais elevado da gastronomia mundial. As frutas, as verduras, as ervas, as raízes... quero mostrar o quanto é complexo este bioma e o quanto ele pode acrescentar à gastronomia”, disse à BBC Brasil Alex Atala.

    Para Atala, dar voz ao regionalismo significa alimentar a busca pelo novo sem deixar de olhar para trás. Na sua palestra ele apresenta o “Horto Amazônico”, com o tucupi e a tapioca, entre outros produtos típicos.

    O brasileiro propõe um prato de carne com chocolate no qual associa ainda o foie gras com o jambu, uma erva amazônica.

    O segundo é um prato que une os perfumes e sabores dos bosques europeus - nozes e cogumelos - com aqueles da floresta amazônica - castanhas-do-Pará, de caju e o tucupi da selva, além da castanha de Baru, do cerrado. De sobremesa, sorvete de jabuticaba com wassabi, ingrediente japonês.

    Pratos sofisticados, ingredientes simples
    Para o mestre da cozinha italiana Gualtiero Marchesi, não importa o tipo de cozinha, se rica ou simples, o importante é manter a integridade da matéria-prima.

    “Uns fazem a cozinha barroca, outros a cozinha moderna, eu faço a cozinha minimalista, quem sabe?! Eu amo muito o produto para estragá-lo e esta é a missão mais difícil”, afirmou Marchesi.

    Para ele, o cozinheiro deve ter a inteligência, a paixão e o paladar como ingredientes fundamentais. Ou seja, além da matéria-prima tem que ter massa cinzenta.

    Porque não repassar mensagens de "ajuda"

    Do serviço de Auditoria e Segurança da Petrobras
    O que há por trás das mensagens de crianças desaparecidas.
     segue abaixo uma boa explicação para NÃO
    passarmos qualquer e-mail de pedido, promoção, protestos ou acusações sem antes verificar a veracidade dos fatos.
     
    Uma pessoa recebe uma mensagem comovente, com uma foto de uma criança desaparecida,doente...
    e logo depois de receber a comovente mensagem a repassou para vários amigos.
    Veja a resposta de uma das pessoas que recebeu a mensagem e checou a informação:
    ''Esse telefone não é de Niterói.
    Se você ligar direto, sem usar o DDD, a ligação não completa. Se usar o código 21, também não completa."

    Esses e-mails bem apelativos são criados por pessoas inescrupulosas para conseguir algo muito valioso para eles:
    o seu, o nosso, endereço de e-mail.'
    Qual candidato a deputado, dono de joalheria, diretor de banco, financeira etc., que não quer oferecer seus produtos ou dar o seu 'plá', sem qualquer custo, para uma clientela seleta dessas:  
    você,  que é @ans   e eu, que sou @Petrobras...
    Daí você manda para outros @ans, @iba, eu mando para @Petrobrás, @cvrd etc...
    Alguém  recolhe esses endereços, deleta os @ig da vida e vende por uma nota para os clientes acima.
    Sou do comitê de segurança da informação da minha empresa e todos os e-mails desse tipo que chegam, eu verifico a validade.
    Até agora, e já faz mais de dois anos que faço este trabalho, somente um, foi realmente verdadeiro:
    era sobre um cadastramento de pessoas carentes para fazer cirurgia de palato, (lábio leporino) em crianças. Liguei e era real... O resto, tudo mentira.
    O último foi do banco Santander, que estaria recrutando pessoas com deficiência física para trabalhar. Aqui, todo mundo ficou sensibilizado e quando eu recebi, simplesmente entrei no site do banco.
    Achei um pop-up que desmentia a notícia... O do banco de olhos em Sorocaba, embora o hospital exista,não procede a informação ,não estão perdendo córneas, tão pouco o hospital é maçonico. Liguei e falei pessoalmente com a direção do mesmo.
    Seguem algumas dicas do nosso comitê para não 'cairmos nessa':
    1- Escrever um mail ou enviar qualquer coisa pela Internet é fácil...
    2- NÃO ACREDITE automaticamente em tudo.
    3- Observe o texto, reflita, analise,cheque tudo antes de repassar aos amigos.
    4-Quando nós recebemos mensagens pedindo ajuda para alguém, com alguma foto comovente, não repasse apenas 'para fazer a sua parte...' pode haver alguém cheio de más intenções, por trás desse e-mail... Verifique a veracidade das informações... Afinal, próximo de sua casa, há sempre alguém carente que você poderá ajudar, se esta for sua opção de vida.
    5-Cuidado! Muito cuidado com mensagens-lista de dados de pessoas , que  cada um vai assinando, colocando seus endereços e telefones reais, repassando... Podem facilmente ser utilizados por hackers, assaltantes, seqüestradores etc.
    6- E AGORA, O  MAIS IMPORTANTE : Quando reenviarem mensagens, RETIREM OS NOMES E E-MAILS DAS PESSOAS POR ONDE AS MENSAGENS JÁ PASSARAM! . E o nome de quem mandou para você também.
    7-Existem programas rodando na Internet para pegar 'tudo que tiver antes ou depois de um @'. Isso é vendido para spammers,hackers, cuja intenção muitas vezes é de espalhar vírus ou pishings (programinha que rouba seus dados no seu computador,sem que vce saiba).

    8-
    Quando for mandar uma mensagem para mais de uma pessoa,
    NÃO ENVIE COM O 'PARA' NEM COM O 'CC'
    ENVIE COM O 'CCO' (CÓPIA CARBONO OCULTA)
     
    onde não aparecerá o endereço eletrônico de nenhum destinatário.
      Fernando Rouco Steinmann
    Quando todos nós fizermos isso, livraremos a Internet de 80% dos vírus e outras inconveniências...
    January 28

    Conto de fodas

    Era tarde da noite, o caminhoneiro guiava pensando em mulher. Ao avistar uma plantação de abóboras, ele pensa :
     
    - Uma abóbora... hmmmmm... é... macia, úmida por dentro... Hummmmmmmm.. .(caminhoneiro pensando)
    Ninguém por perto, ele pára o caminhão, escolhe a abóbora mais redondinha, mais "gostosinha"... dá-lhe um talho no tamanho apropriado e, morto de tesão, inicia a transa. Na empolgação, nem percebe a chegada de uma viatura da polícia.
    - Desculpe-me, senhor ! - interrompe, perplexo, o patrulheiro - mas acaso o senhor está... transando com uma abóbora ???
     
    O caminhoneiro, assustado:
    - Abóbora? Puta que pariu!!! Já é meia-noite...???
    Cinderela... ! CINDERELAAAAAAA !!!
    January 26

    Ruim e caro!

    Parar de fumar pode ajudar a resolver problemas financeiros, avalia consultor
    Agência Brasil
    Fabrizio Bensch/Reuters
    Prejuízo pode equivaler ao valor de um imóvel com o passar dos anos
    Além dos comprovados danos à saúde, o cigarro causa problemas ao bem-estar financeiro, alega o consultor Reinaldo Domingos. De acordo com ele, o prejuízo pode equivaler ao valor de um imóvel com o passar dos anos.

    “Se pegarmos um maço de cigarro a R$ 2,75 e capitalizarmos a juros de 1% por 30 anos, teremos aproximadamente, R$ 288 mil de provável economia, não apenas para o bolso, mas para a saúde,” explica Domingos.

    Apesar de o Banco Mundial calcular em cerca de US$ 200 milhões por ano os prejuízos com cigarro para as economias dos países, o consultor ressalta que não são feitas abordagens para demonstrar os prejuízos financeiros individuais causados pelo tabagismo.

    Segundo o consultor, poupar pequenas quantias, como os gastos com o fumo, pode ajudar a realizar metas e objetivos a longo prazo.“Ás vezes, a pessoa não consegue comprar uma casa. Vou dar um exemplo, tem casa que custa R$ 100 mil. Você fumando por vinte, trinta anos pode comprar duas ou três casas desse valor,” afirma.

    Para Domingos, grande parte dos problemas financeiros dos brasileiros é provocada pela cultura de consumo imediato, sem a preocupação de guardar dinheiro. Segundo ele, 70% dos brasileiros economicamente ativos têm dívidas com cheque especial, cartão de crédito ou empréstimos, com um valor médio de R$ 1,5 mil.
    January 25

    Da Série: Esse povo me mata de vergonha...

    Padre se recusa a interromper missa na Itália após morte de fiel


    Um padre católico que continuou a rezar a missa na igreja Madonna Bianca, em Trento, na Itália, mesmo depois de perceber que um dos fiéis havia morrido durante a cerimônia, teve que se defender na quinta-feira sua atitude.

    Em entrevista à agência italiana de notícias, Ansa, o padre Mario Peron disse que levar a missa até o fim teria sido o desejo do fiel Pio Lieta, que sofreu um ataque cardíaco fatal enquanto atendia à missa na manhã de domingo.

    Ao perceber que o fiel estava morto, Peron interrompeu a missa por alguns minutos e uma ambulância foi chamada no local, mas Lieta já estava morto.

    O padre pediu então que cobrissem o corpo do fiel, estendido no chão da igreja, e continuou a rezar a missa.
    Depois de rezar o funeral de Pio Lieta, na quinta-feira, Peron defendeu sua decisão.
    "O que eu poderia ter feito? A Missa Sagrada tem que ser celebrada, não podemos abrir exceção para um indivíduo", disse Peron ao jornal britânico Daily Telegraph.

    "Apenas pessoas que não conhecem o conceito da missa não compreendem a lógica da minha decisão", afirmou. "Não podíamos parar, estávamos unidos na igreja e rezamos por ele", disse Peron.

    Críticas
    A atitude do padre chamou a atenção da mídia local e alguns fiéis que estavam presentes na celebração criticaram a decisão de Peron de continuar o serviço.

    Em entrevista ao jornal local L'Adige, um dos fiéis afirmou que ficou surpreso com a decisão do padre.
    "Devíamos ter parado em sinal de respeito", afirmou o fiel, que não se identificou.
    O filho de Pio, Angelo Lieta, que é missionário no Chile, afirmou ao Telegraph que não ficou aborrecido com as circunstâncias da morte de seu pai.

    "Meu pai teria concordado com a continuação da Missa", disse.


    Belo Horizonte
    Cliente não gosta de omelete e esfaqueia dono de bar
    Thiago Herdy - Estado de Minas
    Insatisfeito por causa de um omelete, um cliente esfaqueou, na tarde de quinta-feira, o empresário Fernando Pereira de Souza, de 29 anos, dono de um restaurante no Barro Preto, na Região Centro-Sul de BH. Segundo a polícia, o engenheiro aposentado Júlio Pereira de Sales, de 67, reclamou com uma atendente que o seu prato estava sem sal. Ele teria sido grosseiro e, por isso, o marido da funcionária, que é um dos proprietários do restaurante, interveio.

    Veja a reportagem da TV Alterosa

    “Perguntei o que estava ocorrendo, ele disse que não estava falando comigo e começou a xingar palavrões”, contou Fernando, que se aproximou para ouvir o que o homem dizia. “Ele questionou se eu sabia com quem estava falando. Pensei que ele ia tirar uma carteira de policial ou coisa assim, mas ele tirou um canivete da pochete, e eu não vi”, lembrou o empresário.

    Júlio atingiu Fernando com um golpe na cabeça. “Ele queria fugir, mas o segurei até a polícia chegar”, contou. O aposentado causou um corte de 12 centímetros na cabeça do empresário e o sangue assustou funcionários e clientes. Fernando foi atendido no Hospital Felício Rocho, a poucos metros do restaurante. Ele recebeu pontos na cabeça e foi liberado. O aposentado foi conduzido para a 3ª Delegacia Distrital, onde foi ouvido e autuado por lesão corporal.

    Segundo Fernando, Júlio já tinha visitado o restaurante no dia anterior, quando teria sido mal educado com sua mulher e sua irmã. “Ele chegou querendo caçar confusão. A desculpa foi reclamar do omelete”, justificou o empresário. A receita do prato não será alterada por causa do desentendimento.

    Eu vejo e recomendo

    Apaixonado por TV

    Ailton Magioli
    EM Cultura

    Ator, roteirista e diretor, Bruno Mazzeo se destaca como jovem revelação da televisão brasileira. Aos 30 anos, ele vai atuar na próxima novela das sete e prepara o primeiro longa

    Zé Paulo Cardeal/TV Globo

    Idealizador da série Cilada, Bruno Mazzeo é um criador ousado


    Apontado como um dos jovens talentos da atual TV brasileira, o diretor e roteirista Bruno Mazzeo se tornou unanimidade desde a estréia da série Cilada no canal pago Multishow. Aos 30 anos, ele se prepara para estrear como ator de novela em Beleza pura, o próximo folhetim das sete da Rede Globo. Bruno já havia chamado a atenção ao escrever para os programas Sai de baixo, Escolinha do professor Raimundo e A diarista. Humorista, destacou-se em Sob nova direção como Rick Lacerda, chefe da personagem de Heloísa Perrisé. Em meio a tanto trabalho, ele ainda encontra tempo para roteirizar seu primeiro longa-metragem, Muita calma nessa hora, que será rodado entre abril e maio.

    “Seja atuando, escrevendo ou dirigindo, meu interesse é por bons trabalhos, independentemente de ser televisão, teatro ou cinema”, afirma Bruno. Admitindo que nunca foi noveleiro, o filho de Chico Anysio e da atriz Alcione Mazzeo não se esquece de Roque santeiro, que acompanhou na adolescência. “Foi a primeira novela que me deixou chapado”, lembra, também citando Partido alto. “Além disso, há figuras como Tony Ramos. Eu adoro o Tony Ramos, ele é tipo ídolo mesmo.”

    PORTA-VOZ

    “Meu objetivo é contar uma história. No caso de Beleza pura, serei apenas o canal ou porta-voz da história que os autores vão querer contar”, afirma. “A novela é o carro-chefe da TV no Brasil. É uma responsabilidade muito grande fazê-la.” O ator não se preocupa com as prováveis cobranças pelo fato de ser filho de Chico Anysio. “Se fui convidado, é por algum motivo. Não caí na novela de pára-quedas. Fui fazendo o meu trabalho e em função dele fui parar lá”, afirma. De acordo com ele, o pai é fã da série Cilada. “Mas ele faz críticas ao programa, sempre construtivas. Estamos sempre batendo bola. Eu seria burro se não usasse isso”, reconhece.

    Fã do formato “Big brother”, Bruno Mazzeo elogia a atual edição do programa. “Nesta, ainda não sei, mas a personalidade e a história de cada um dos participantes, por si só, já trazem inovações. Claro que o interesse acaba sendo menor do que em relação aos anteriores, até porque os participantes já sabem como funciona.”

    A única coisa de que ele não gosta é quando o ex-BBB se transforma em celebridade profissional. “Pega mal quando o Diego Alemão vira garoto-propaganda. Teoricamente, nessa condição ele está tirando o espaço de um ator. Isso me incomoda um pouco. O que não significa que eles não possam fazer alguma coisa. A Grazi Massafera, por exemplo, a gente já nem lembra que ela foi uma big brother. A própria Sabrina Sato também”, acrescenta.

    Em busca de novos formatos

    Bruno Mazzeo comemora a resposta de público e crítica à série Cilada, exibida no canal a cabo Multishow: “Ficamos entre os 10 melhores programas do ano”, conta, atribuindo o sucesso à qualidade da atração. “Além de liberdade total, temos a possibilidade de ousar em certos momentos. Fora o fato de poder contar com atores, em sua maioria de teatro, que não têm grandes oportunidades na TV.”

    A quinta temporada será exibida em outubro, depois do sucesso do lançamento em DVD de oito episódios já exibidos – “Academia”, “Acampamento”, “Churrascaria”, “Cinema”, “Escritório”, “Praia”, “Spa” e “Supermercado”. A atração já ganhou comunidade no Orkut. “Não se trata de formato inédito, mas de mistura de formatos que acabou funcionando superbem na maneira de contar uma história”, diz Bruno.

    Ao escrever os roteiros de Cilada, ele jamais pensa se o programa é feito para a TV aberta ou fechada. “Isso já é por influência de meu pai, Chico Anysio. Na TV, você tem de ser compreendido por todos, porque ela não seleciona. Qualquer pessoa pode estar assistindo àquele programa, então tem de ter a preocupação de falar para todo mundo. Aí confio no meu bom senso, sabendo que a pegada do programa é diferente. Lógico que a pegada do Cilada não pode ser a mesma de A diarista. Mas tento não pensar nisso. Até porque aprendi que a gente não tem de dar a comida na boca dos outros, mas colocá-la no anzol e deixar as pessoas pegá-la”, ensina o jovem humorista.

    A propósito da polêmica envolvendo o fim precoce da série A diarista, da qual era um dos autores, Bruno Mazzeo diz não saber se o programa voltará ao ar. “Se voltar, volta ‘sem migo’”, brinca. Ele explica que, particularmente, não tem mais vontade de trabalhar no humorístico protagonizado por Cláudia Rodrigues. Algum problema? “Vamos dizer que houve problemas e que cansei também”, desconversa. “A relação com Cláudia Rodrigues não era das mais agradáveis”, revela.

    Como funcionam os grandes prêmios

    Oscar 2008

    Globo de Ouro

    Emmy Awards

    Framboesa de Ouro

    Prêmios para todos os gostos

    Saiba a história e o funcionamento de todos os maiores prêmios do cinema mundial

    O ano começou mal para as comemorações hollywoodianas com o cancelamento da festa de entrega do Globo de Ouro, torpedeada pela greve dos roteiristas.

    Mas a divulgação melancólica dos premiados da imprensa estrangeira está longe de encerrar a seqüência de troféus e prêmios que desaba sobre a comunidade artística a cada ano. São tantas as listas de melhores e homenagens vindas de todas as direções que a temporada já tem nome próprio. A award season, temporada de premiações, marca o momento de tirar os "Manolos" e "Diors" do armário, polir os discursos e encenar com precisão mais um papel, o de indicado.

    Um cabeleireiro de Los Angeles definiu a correria de uma noite de festa como se todas as suas clientes decidissem casar no mesmo horário. Já para os atores, o momento mais difícil é o de manter o sorriso quando o nome de outro é revelado como vencedor. Para diminuir o constrangimento, a Academia alterou há alguns anos a frase mágica de "o vencedor é" para "o Oscar vai para". Não mudou o sentimento de derrota de quem sai de mãos vazias, muito menos o de vitória de quem carrega o homenzinho dourado pelo resto da noite. Mas Hollywood não ficou do tamanho que é sem aprender como conviver com a vaidade humana.

    Basicamente, os prêmios para a TV, cinema e teatro dividem-se por sua respeitabilidade, importância comercial e forma de escolha. A grande maioria tem seus vencedores escolhidos por comitês, enquanto alguns dos mais famosos, como o Oscar e SAG, contam com eleições votadas por milhares de sócios da entidade responsável pelo troféu. Outros, ainda, são fruto da votação do público, como o People’s Choice Awards.

    A variedade é também geográfica. Além dos troféus mais conhecidos, em sua maioria estadunidenses, somados a alguns europeus, a lista espalha-se pelo globo com eventos como o Festival Panafricano de Cinema e TV de Ouagadougou, em Burkina Faso, ou os Genie Awards, no Canadá. Há, também, os festivais de cunho ideológico, como o de Sundance, que se equilibra entre o brilho hollywoodiano e a identidade de ser um evento revelador de novos talentos. Na mesma linha, o Independent Spirit Award tenta definir o que é um filme independente num momento em que os grandes estúdios criam grifes dedicadas a produções menores, e filmes que não deveriam ter ligação com os grandes produtores são estrelados por elenco hollywoodiano.

    Indiscutivelmente o prêmio mais famoso do cinema, mesmo com as seguidas acusações de que o mérito é mais do departamento de marketing dos estúdios do que da parte artística, o Oscar ocupa o topo da lista. Seu peso comercial acabou forçando outros grupos a repensarem seus prêmios. Recentemente, a Academia Britânica, responsável pelo BAFTA, alterou seu cronograma para que seu troféu não ficasse perdido na temporada pós-Oscar, quando vencedores e perdedores da bilheteria já foram escolhidos.

    Na via contrária, o peso qualitativo dos prêmios europeus, como a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes, forçou a organização do Oscar a colocar limites rígidos nas campanhas dos estúdios pelos votos. Os anos recentes marcaram o fim das festas, dos presentes e gastos desenfreados. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas já tem o sucesso de marketing e a durabilidade. Agora quer recuperar a respeitabilidade. Ou conquistá-la.

    O mesmo querem os organizadores dos vários troféus distribuídos pelos sindicatos que reúnem os profissionais de cinema, teatro e TV, seja o Directors Guild Award, sindicato dos diretores, ou o agora famoso em virtude da greve que organizou, Writers Guild of América, o sindicato dos roteiristas. Poucos conseguirão a durabilidade do Festival de Veneza, o mais antigo dos festivais, e outros, como o TV Guide, serão cancelados depois de algumas edições. Ficarão os mais importantes, ou os mais bem sucedidos em atrair estrelas e o público.

    A seguir, alguns dos prêmios que vão agitar o mercado em 2008, em ordem cronológica:

    SAG

    Nome oficial: Screen Actors Guild Awards

    Responsável: O Screen Actors Guild (Sindicato dos Atores)

    História: Entregue pela primeira vez em 25 de fevereiro de 1995, o SAG premia treze categorias entre troféus individuais e em grupo. Seu peso principal é ser um prêmio para atores escolhidos por seus colegas de profissão. O SAG foi também o primeiro troféu a premiar elencos, reforçando a idéia do sindicato de que o trabalho em séries é um esforço coletivo e não apenas do astro principal.

    Troféu: A estatueta de uma figura humana segurando as máscaras da tragédia e da comédia, batizada de O Ator, foi desenhada por Jim Heimann e Jim Barrett e esculpida por Edward Saenz.

    Votação: A votação é feita em dois estágios. As indicações são votadas por dois comitês de dois mil e cem membros cada, selecionados por computador em abril de cada ano. No segundo estágio, as cédulas são encaminhadas a todos os membros do sindicato, cerca de cento e vinte mil pessoas, que estejam em dia com o pagamento de suas mensalidades em novembro.

    Edição em 2008: 14a. em 27/01

    Bafta

    Nome Oficial: British Academy of Film and Television Arts Awards

    Responsável: A Academia Britânica de Artes da Televisão e do Cinema

    História: Fundada em 1947 como The British Film Academy por David Lean e Alexander Korda, entre outros, a Academia uniu-se em 1958 com a The Guild of Television Producers and Directors para formar a The Society of Film and Television. O nome atual da organização foi assumido em 1976. Entre as fontes de renda da Academia estão os royalties de A Ponte do Rio Kwai e Doutor Jivago, doadas por David Lean.

    A cerimônia de entrega do BAFTA acontecia em abril ou maio, mas, a partir de 2002 os organizadores anteciparam o resultado para fevereiro para que a cerimônia acontecesse antes do Oscar. Assim como seu colega estadunidense, o BAFTA divide suas premiações em datas diferentes, deixando a festa principal para atores e diretores.

    A partir de 1998 o BAFTA passou a premiar os melhores games na categoria de Entretenimento Interativo. Entre os vencedores da categoria estão GoldenEye 007, Halo 2 e Half-Life 2.

    Troféu: O troféu tem a forma de uma máscara teatral e foi desenhada pela escultora Mitzi Cunliffe em 1955. Na parte posterior a máscara tem um símbolo eletrônico em torno de um olho e uma tela em torno do outro, mostrando a ligação entre a arte dramática e a tecnologia.

    Votação: Os vencedores são escolhidos pelos membros da Academia Britânica.

    Edição em 2008: 60a. em 10/02

    Festival de Berlim

    Nome oficial: Internationale Filmfestspiele Berlin (Berlinale)

    Responsável: Kulturveranstaltungen des Bundes in Berlin GmbH.

    História: Estabelecido em 1951, o Festival tinha como objetivo trazer de volta a atmosfera de cultura que Berlim exibia durante a década de vinte. A primeira edição foi aberta com Rebeca, de Alfred Hitchcock, e contou com a presença da atriz principal, Joan Fontaine.

    Troféu: O urso é o símbolo oficial da cidade de Berlim e inspirou não só o troféu como o logotipo do Festival. A estatueta foi desenhada pelo escultor Renée Sintenis e são produzidas pela Fundição Noack desde o início do Festival.

    Votação: Os prêmios mais importantes do Festival, os Ursos de Ouro e Prata são distribuídos por um Júri Internacional de pelo menos três membros alemães e estrangeiros, escolhidos pelo diretor do Festival. Há ainda prêmios para as diversas seções do Festival, distribuídos por um júri de três pessoas, e um júri infantil é responsável pela escolha dos Ursos de Cristal.

    Edição em 2008: 58a. em 17/02

    César

    Nome oficial: Lês César du cinema

    Responsável: Academie des Arts et Techniques du Cinéma

    História: Criado em 1975, o César é o equivalente francês do Oscar, embora o país berço do cinema certamente evite a comparação. O prêmio costuma privilegiar produções européias, apesar de filmes hollywoodianos já terem sido premiados. A cerimônia de entrega acontece no Théâtre du Châtelet e é transmitida pela TV para toda a França, onde é conhecida como La Nuit de Césars. Duas categorias são as mais importantes: a de Melhor Filme (Meilleur Film Français de l'année) e a de Melhor Filme Estrangeiro (Meilleur Film Étranger).

    Troféu: O troféu foi batizado em homenagem ao escultor César Baldaccini e é uma escultura do artista.

    Edição em 2008: 33a. em 22/02

    Independent Spirit

    Nome Oficial: Independent Spirit Award

    Responsável: Film Independent

    História: Organizado por uma entidade não lucrativa, o prêmio nasceu em 1984 e originalmente chamava-se Findie, contração de Friends of Independents. Em 1987 o prêmio foi alterado para o nome atual. Seguindo o cuidado dos outros troféus de usar o Oscar como data limite, o Independent Film Awards é entregue um dia antes do Prêmio da Academia. A cerimônia acontece numa tenda montada na praia de Santa Mônica e tudo é feito de forma a contrastar com a pompa do Oscar. Desde 1994 a cerimônia passou a ser transmitida pelo Independent Film Channel.

    Troféu: O troféu inicialmente era composto de uma pirâmide de acrílico com cadarços de sapato suspensos, numa alusão aos orçamentos apertados dos filmes. Em 2006 os vencedores passaram a receber um troféu que mostra um pássaro pousado em um mastro, com os cadarços enrolados em torno da base.

    Votação: Para participar da premiação os filmes devem ter a duração mínima de setenta minutos, o que excluiu As Horas, com 67 minutos. Além disso, a produção tem de ter sido exibida por uma semana em circuito comercial em 2007 ou ter sido exibida num dos seguintes festivais: Los Angeles Film Festival, New Directors/New Films, New York, Sundance, Telluride, or Toronto. O orçamento não pode ultrapassar a marca dos vinte milhões de dólares, incluindo a pós-produção.

    Os comitês de indicação são formados por quinze a vinte membros da comunidade cinematográfica. Cada comitê discute os filmes inscritos em reuniões e um encontro final de dois dias acontece para que todos discutam e votem em cada categoria. Para ser considerado independente, um filme tem de apresentar uma visão única, um assunto original, economia de meios e uma porcentagem de seu orçamento tem de vir de fontes independentes.

    A votação é feita pelos membros da Film Independent, que podem votar em cédulas de papel ou online.

    Edição em 2008: 23a. em 23/02

    Framboesa Dourada

    Nome Oficial: The Golden Raspberry Awards ou Razzies

    Responsável: Golden Raspberry Award Foundation (GRAF)

    História: Entregues pela primeira vez em 1981, as Framboesas Douradas foram criadas por John Wilson a partir das festas que ele organizava com amigos na noite da entrega do Oscar.

    Em 1981, Wilson divulgou seu prêmio para a imprensa e acabou ganhando fama até que, em 1987, a Framboesa Dourada ganhou uma cerimônia de entrega no Hotel Roosevelt, local onde foram entregues os primeiros Oscars. Finalmente, em 1988 os "premiados" começaram a aceitar o troféu. Bill Cosby recebeu seus três Framboesas como Pior Filme, Pior Ator e Pior Roteiro em um programa de TV. Ben Affleck recebeu e quebrou seu prêmio de Pior Ator por Gigli no programa Larry King Live. O troféu quebrado foi vendido e o dinheiro arrecadado serviu para alugar o local para a cerimônia de entrega do prêmio no ano seguinte. Em 2005 Hale Berry compareceu à cerimônia das Framboesas para receber seu troféu de Pior Atriz por Mulher Gato, e fez seu discurso com o Oscar por Monster’s Ball em uma das mãos e a Framboesa na outra. Outros momentos mostraram a montanha russa dos atores entre trabalhos bons e ruins com as indicações no mesmo ano para o Oscar e a Framboesa de Jack Nicholson em 1992 e Alec Baldwin em 2003. Por se tratar de uma ironia com o prêmio mais famoso, as Framboesas abusam nas categorias. Entre coisas comuns como Pior Filme e Pior Ator, estão prêmios para a Pior Desculpa Para Fazer um Filme e Pior Carreira, uma gozação com o Oscar entregue pelo conjunto da obra.

    Votação: Qualquer um pode ser membro da Raspberry Foundation, bastando uma inscrição e o pagamento de uma mensalidade. Todos os membros podem votar.

    Troféu: Uma framboesa pintada de dourado numa base de plástico.

    Edição em 2008: 28a. em 23/02

    Oscar

    Nome Oficial: Academy Awards

    Responsável: A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas

    História: Os prêmios da academia foram entregues pela primeira vez em 16 de maio de 1929 no Hotel Roosevelt de Hollywood, quando o presidente da Academia era Douglas Fairbanks e entradas para o banquete de entrega custavam cinco dólares. Ao contrário da surpresa que os premiados sentem, ou fingem que sentem hoje, os premiados de 1929 foram anunciados três meses antes. Nos anos seguintes, a imprensa passou a receber o nome dos premiados antecipadamente para publicação na noite da entrega dos prêmios. Em 1940 o Los Angeles Times quebrou o acordo e divulgou os nomes dos ganhadores na edição da tarde. A atitude do jornal levou a Academia a adotar o sistema de envelopes selados no ano seguinte. Após várias mudanças de endereço, quando os prêmios foram mudaram para o Grauman’s Chinese Theatre, o Shrine Civic Auditorium, o Melrose Avenue Theater e o Pantages Theatre, a cerimônia foi transmitida pela primeira vez pela TV com Bob Hope como mestre de cerimônias em Hollywood e Fredric March no International Theatre em Nova York. Em 1961 a cerimônia mudou novamente, deixando Hollywood para acontecer no Santa Mônica Civic Auditorium. Oito anos depois, o Oscar mudou novamente para se estabelecer no Dorothy Chandler Pavilion de Los Angeles. Em 2002 a cerimônia voltou a Hollywood como parte do programa de revitalização da região onde hoje só há um estúdio, o Paramount, e passou a acontecer no Kodak Theatre.

    Votação: A campanha pelo Oscar começa em novembro. Como parte do trabalho da Academia de reestabelecer a seriedade do prêmio, bastante abalada por situações como a italiana Sophia Loren entregando o prêmio ao também italiano Roberto Benini ou William Hurt anunciando o troféu de Marlee Matlin, sua esposa na época, foram proibidos os presentes com os quais os estúdios tentavam chamar a atenção dos eleitores. Em dezembro, a Academia envia as cédulas de votação aos mais de seis mil membros da Academia, que devem ser devolvidas à PricewaterhouseCoopers no prazo de duas semanas. Na última semana de janeiro, os nomes dos indicados são divulgados e as cédulas para a segunda votação são enviadas para os eleitores no início de fevereiro. Segundo as regras, somente duas pessoas da Pricewaterhouse conhecem o conteúdo dos envelopes abertos na cerimônia de entrega dos prêmios. Apesar de todos os membros da Academia elegerem os indicados e vencedores, a forma difere de acordo com a categoria. Somente atores votam nas categorias dedicadas à atuação, enquanto a indicação e premiação de Melhor Filme em Língua Estrangeira é feita por um grupo composto de membros de todas as categorias. As indicações e o vencedor na categoria Melhor Filme são votadas por todos os membros.

    Além dos prêmios entregues na festa principal, a Academia ainda distribui prêmios técnicos e científicos que reconhecem avanços nos equipamentos e técnicas cinematográficas.

    Troféu: A decisão de entregar um prêmio em honra aos melhores foi tomada durante um jantar no Crystal Ballroom do Hotel Biltmore, em 1927. O design da estatueta foi criado pelo diretor de arte da MGM, Cedric Gibbons. O escultor George Stanley foi selecionado para transformar o desenho de um cavaleiro em pé sobre um rolo de filme segurando uma espada.

    As origens do apelido Oscar são diversas e todas não oficiais. Uma das histórias diz que a diretora executiva da Academia, Margaret Herrick, disse que a estatueta lembrava seu tio Oscar e os funcionários passaram a tratar o troféu desta forma. O nome se tornou público na sexta premiação, em 1934, quando o colunista Sidney Skolsky usou o termo em sua coluna ao comentar o premio recebido por Katharine Hepburn. A Academia, no entanto, só utilizou o nome oficialmente a partir de 1939, provavelmente quando percebeu que não conseguiria fazer com que o apelido deixasse de ser usado. Produzidas anualmente pela R.S Owens, as estatuetas eram transportadas por terra de Chicago para Los Angeles até 2000, quando a carga foi roubada semanas antes da entrega. Desde então, a Academia passou a transportar os troféus em um vôo especial e a manter um estoque de reserva suficiente para as premiações do ano.

    Edição em 2008: 80a. em 24/02

    Festival de Cannes

    Nome oficial: Festival International du Film de Cannes ou Le Festival de Cannes

    História: O primeiro festival aconteceu em 1946. Nos anos anteriores a 1955 o prêmio principal era chamado Grand Prix du Festival International du Film.

    O Festival de Cannes nasceu em parte devido à existência do Festival de Veneza e sua competição internacional, nascida em 1932. Seguindo o que acontece até hoje em muitos festivais, os premiados com a então Copa Mussolini da Mostra di Venezia não eram necessariamente os melhores na arte, mas, produções do país sede e alemãs pela afinidade dos regimes dos dois países. Esta política levou a Mostra a ignorar o filme La Grande Illusion, de Jean Renoir, em favor de Olympia, produção alemã encomendada por Joseph Goebbels, e o filme italiano de Luciano Serra, Pilota, produzido sob a supervisão do filho de Mussolini. O resultado irritou os franceses e fez com que os membros britânicos e estadunidenses do júri abandonassem a Mostra em protesto. Em seguida, La Grande Illusion foi proibido na Itália e Alemanha, onde Goebbels o rotulou de inimigo cinematográfico número um. O escândalo na Itália levou um grupo de críticos e cineastas a pedir que o governo da França custeasse um festival onde os filmes seriam mostrados sem censura política. Entre os participantes do grupo estava Louis Lumière, um dos inventores do cinema. A escolha do local ficou entre Biarritz e Cannes. Oficialmente, Cannes foi escolhida pelo cenário, mas, o fato da prefeitura ter aceitado pagar a construção de um local para o festival certamente teve um peso considerável. O primeiro Festival foi agendado para 1o. de setembro de 1939, mas, foi fechado no dia seguinte com a invasão da Polônia e o início da Segunda Guerra Mundial, voltando a acontecer em setembro de 1946. Como o local para o festival ainda não havia sido construído, o evento aconteceu no cassino e o primeiro júri foi presidido por Louis Lumière.

    Nos anos 50 o Festival foi transferido para abril. Um dos motivos foi assegurar que o evento pudesse contar com as estréias mundiais, até então destinadas aos festivais que aconteciam no início do ano. Em 1954 a joalheira parisiense Suzanne Lazon sugeriu que prêmio incorporasse a imagem de uma palma, um dos símbolos da cidade. O conceito inicial foi desenhado pelo diretor Jean Cocteau e causou a mudança do nome do prêmio principal, que passou a se chamar Palme d’Or a partir do ano seguinte. O ano também marcou o início da tradição das "starlets" quando Simone Syla mostrou os seios para os fotógrafos durante uma sessão de fotos que deveria ter sido com Robert Mitchum. Daí em diante, e com uma grande ajuda de Brigite Bardot desfilando de biquíni pela praia, a imagem de Cannes estaria para sempre ligada a sexo.

    Em 1962 o Brasil marcou presença com a vitória de O Pagador de Promessas, mesmo ano em que foi criada a primeira mostra paralela do Festival, a Semaine Internationale de la Critique, a Semana dos Críticos, como uma forma de abrir espaço para novos cineastas.

    Nascido de um protesto, o Festival acabou envolvido na efervescência de 1968, quando o ministro da cultura, André Malraux, tentou demitir o co-fundador e diretor da Cinématèque Française, Henri Langois, por uma disputa de orçamento. A notícia chegou a Cannes em meio ao Festival, onde Louis Malle e Roman Polanski abandonaram o júri atendendo ao chamado de François Truffaut, Jean-Luc Godard e outros cineastas que exigiam que o Festival fosse encerrado em sinal de protesto. Em 19 de maior os diretores invadiram a sala de exibição forçando o cancelamento do Festival. Apesar de bem sucedidos em conseguir a readmissão de Henri Langois, o grupo de cineastas foi acusado de usar o Festival politicamente, dando origem à criação, por um grupo rival da segunda mostra paralela, a Quinzaine des Réalisateurs, a Quinzena dos Diretores. A mostra foi definida por Pierre Kast: Todos os filmes nascem livres e iguais: nós devemos ajudá-los a permanecer dessa forma.

    A década de setenta marcou a chegada dos novos diretores estadunidenses, com a entrada em Cannes de MASH, de Robert Altman, Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola, Táxi Driver, de Martin Scorsese e The Sugarland Express, de Steven Spielberg. Em 1982 o Festival ganhou um novo Palais des Festival et des Congrès

    Troféu: Até 1954 o prêmio chamava-se Grand Prix du Festival, representado por um trabalho de um artista contemporâneo diferente a cada ano. No final daquele ano, a direção convidou vários joalheiros para apresentar desenhos para uma palma em tributo ao brasão de armas da cidade. O desenho original de Lucienne Lazon tinha o talo da palma formando um coração e o pedestal era uma escultura em terracota de Sébastien. Em 1964 a Palma de Ouro deixou de ser entregue devido a problemas de direitos autorais. Em 1975 a Palma voltou a ser o símbolo do Festival, passando por várias modificações. O pedestal, antes arredondado, adquiriu a forma piramidal em 1984. Em 1992 Thierry de Bourqueney redesenhou a Palma e seu pedestal passou a ser de cristal. A versão atual da Palma de Ouro está em uso de 1997 e foi desenhada por Caroline Scheufele-Gruose, Presidente da Chopard.

    Votação: Até 1972 os filmes participantes eram escolhidos por representantes de seu país de origem. Daí em diante o comitê organizador decidiu que o festival trataria da escolha dos filmes para a seleção oficial.

    Atualmente quatro júris comandam as dez divisões do Festival. O evento principal é a Compétition, que distribui a Palma de Ouro de Melhor Filme. A competição admite a entrada de longas e curtas metragens e, embora dedicada à ficção, documentários como Fahrenheit 9/11, são admitidos. Os júris são escolhidos pelo comitê diretor do Festival. A escolha leva em conta o conjunto da obra e o respeito adquirido entre os colegas de profissão. Em 2008 o presidente do júri é Sean Penn.

    Edição em 2008: 61a. O festival este ano acontece entre os dias 14 e 25 de maio

    Tony

    Nome Oficial: Antoinette Perry Awards for Excellence in Theatre

    Responsável: American Theatre Wing e League of American Theatres and Producers.

    História: A American Theatre Wing passou a premiar os melhores do teatro em 1947 por sugestão de um grupo de produtores encabeçado por Brock Pemberton. A primeira cerimônia de entrega aconteceu em 6 de abril de 1947 no hotel Waldorf Astoria. Somente em sua terceira edição, no entanto, o prêmio passou a contar com um troféu, batizado em homenagem a Antoinette Perry, atriz, diretora, produtora e líder da American Theatre Wing durante o período da Segunda Guerra Mundial. A cerimônia de entrega do prêmio passou a ser transmitida pela TV a partir de 1967 e ganhou força recentemente com o crescimento do número de astros do cinema que passaram a participar de peças na Broadway. O movimento de Hollywood em direção ao teatro tem sido duramente criticado como um golpe de marketing, principalmente porque os atores permanecem pouco tempo com as produções. A exceção foi Hugh Jackman, que permaneceu toda a temporada de Boy from Oz, na verdade voltando às suas raízes no teatro musical, onde fez sucesso antes de ser descoberto pelo grande público como Wolverine.

    Considerado o equivalente teatral do Oscar, o prêmio, assim como seu colega cinematográfico, carrega o peso de ser considerado por parte da crítica como estritamente um instrumento de marketing. A crítica nasce principalmente do fato de serem elegíveis somente produções apresentadas nos teatros da Broadway presentes na lista divulgada pelos organizadores do prêmio. A regra exclui peças em exibição no circuito off-Broadway e off-off-Broadway ou fora da cidade de Nova York.

    Votação: O Comitê de Administração tem 24 membros: dez designados pela American Wing, dez indicados pela League, e um indicado por cada uma das seguintes organizações: Dramatists Guild, Actors' Equity Association, United Scenic Artists, and the Society of Stage Directors and Choreographers. Este comitê determina a elegibilidade dos candidatos. O Comitê de Indicação é formado por um grupo de até trinta profissionais escolhidos pelo Comitê de Administração. Os membros do Comitê de Indicação têm um mandato de três anos e devem assistir todas as novas produções da Broadway. Os eleitores, cerca de 750, incluem membros indicados pela American Theatre Wing, Actor’s Equity Association, Dramatists Guild, Society of Stage Directors and Coreagraphers, United Scenic Artists, Association of Theatrical Press Agents and Managers, Theatrical Council of the Casting Society of America e membros votantes da League of American Theatres and Producers.
    Troféu: Até 1948, além de um diploma, os vencedores do prêmio levavam para casa um isqueiro (para os homens) e um estojo de pó compacto (para as mulheres). Naquele ano, o sindicado dos designers, United Scenic Artists, organizou um concurso para a escolha de um troféu. O vencedor foi Herman Rosse. O medalhão tem as máscaras da tragédia e da comédia de um lado e o perfil de Antoinette Perry do outro. A partir de 1967, o medalhão ganhou um pedestal preto e passou a ser suspenso num semicírculo de metal.

    Edição em 2008: 62o. em 15/06

    Festival de Veneza

    Nome oficial: Mostra Internazionale d'Arte Cinematográfica – La Biennale di Venezia

    História: A primeira Esposizione d’Arte Cinematográfica aconteceu em 1932 como parte da 18a. Biennale de Venezia, quando o presidente da Biennal era o Conde Giuseppe Volpi di Misurata. O festival de 1932 aconteceu no terraço do Hotel Excelsior ainda sem um aspecto competitivo e reuniu filmes de diretores como Frank Capra, King Vidor e Anatol Litvak, e astros como Clark Gable, Fredric March, John Barrymore, Joan Crawford e Vittorio De Sica, atraindo mais de vinte e cinco mil espectadores. A exibição foi seguida por um grande baile no Hotel Excelsior. O melhor diretor, Nikolaj Ekk, e o melhor filme, A Nous la Liberté, foram escolhidos pela audiência. O segundo festival marcou a primeira competição, com filmes de dezenove países e a introdução da Coppa Mussolini como prêmio para o melhor filme estrangeiro e melhor filme italiano, mas, não havia júri. Os prêmios eram distribuídos pelo Presidente da Biennale, após ouvir a opinião do público e de especialistas.

    O Festival tornou-se um evento anual em 1935, quando o prêmio para os atores passou a se chamar Coppa Volpi. Em 1936 um júri internacional foi indicado pela primeira vez, e em 1937 o Festival ganhou uma casa, o Palazzo del Cinema. Durante a Segunda Guerra Mundial o Festival teve três edições, quando os filmes foram temporariamente exibidos no cinema San Marco e a participação foi limitada aos simpatizantes do Eixo.

    Troféu: O Leão de Ouro foi introduzido em 1949 como o Leão de Ouro de São Marcos. Antes desta data, o prêmio era chamado Gran Premio Internazionale di Venezia.

    Votação: A competição internacional reúne um máximo de vinte filmes apresentados como estréias mundiais ou que ainda não tenham sido apresentados ao público fora de seu país de origem ou na Itália.

    Um júri internacional de sete ou nove membros escolhidos entre personalidades do cinema e cultura de diversos países, com exceção de pessoas que tenham participado da produção dos filmes convidados ou que tenham interessem em sua distribuição.

    A seleção dos filmes participantes será feita pelo Diretor do Festival, assessorado por uma comissão de cinco especialistas, bem como um grupo de consultores internacionais.

    Edição em 2008: 65a. de 27 de agosto a 06 de setembro

    Emmy

    Nome oficial: Emmy Awards

    Responsável: Academy of Television Arts and Sciences e National Academy of Television Arts and Sciences

    História: O Emmy foi entregue pela primeira vez em Janeiro de 1949 em Hollywood pela recém fundada Academia de Artes e Ciências da Televisão. O nome do troféu é derivado de Immy, um apelido dado ao tubo orthicon desenvolvido no final dos anos 40.

    Inicialmente regional, o prêmio adquiriu um caráter mais nacional a partir de 1955, ano da primeira transmissão costa a costa. Em 1957 foi formada a Academia Nacional de Artes e Ciências da Televisão, que administrou o premio até 1976. Em 1977 a tensão entre a regional de Hollywood e a regional de Nova York atingiu seu máximo, levando o grupo de Hollywood a se separar. Uma luta jurídica quanto aos direitos de administrar a entrega do Emmy acabou em um acordo que determina que a Academia baseada em Hollywood administre o prêmio dedicado aos programas noturnos enquanto a National Academy, baseada em Nova York, cuide do prêmio dedicado aos programas diurnos, esportivos, locais e noticiários. A transmissão do Emmy dedicado aos programas de horário nobre (primetime) acontece geralmente em setembro, no domingo anterior ao início oficial da temporada de outono da TV.

    Troféu: A estatueta mostra uma mulher alada segurando um átomo. As asas representam a musa da arte enquanto o átomo simboliza a ciência. O troféu foi criado por Louis McManus, que utilizou sua esposa como modelo.

    Votação: Todos os membros da Academia recebem cédulas para votação nas categorias de melhor programa, enquanto grupos específicos recebem cédulas em separado. Somente os afiliados da área de animação, por exemplo, votam nos programas animados. O número de indicados não pode ultrapassar 1/3 do total de inscritos na categoria. Para a votação final, membros da Academia são convidados a formar o júri. Cada juiz vota segundo sua categoria, ou seja, diretores votam somente nas categorias de direção, atores nas categorias de atuação e assim sucessivamente.

    Edição em 2008: 60a. em 16/09

    Calendário

    Janeiro

    22: Anúncio dos indicados ao Oscar
    25: Anúncio dos indicados ao César
    27: Cerimônia de entrega do SAG
    30: Envio das cédulas de votação do Oscar para os eleitores

    Fevereiro

    4: Almoço dos indicados ao Oscar
    10: Cerimônia de entrega do BAFTA
    17: Festival de Berlim
    19: Data final para a entrega das cédulas de votação do Oscar
    22: Prêmios César
    23: Cerimônia de entrega da Framboesa Dourada
    23: Entrega do Independent Spirit Awards
    24: Cerimônia de entrega do Oscar

    Abril

    30: Emmy para os programas esportivos

    Maio

    14: Início do Festival de Cannes

    Junho

    15: Emmy para os programas diurnos
    15: Cerimônia de entrega do Tony

    Julho

    19: Anúncio dos indicados ao Emmy

    Agosto

    27: Início do Festival de Veneza

    Setembro

    16: Cerimônia de entrega do Emmy

    Ninguém é perfeito

    O segredo revelado

    Saraladevi foi o grande amor de Mahatma Gandhi e sua esposa sabia muito bem disso, assim como seus filhos.
    Gandhi nao escondia de ninguem sua paixao por Saraladevi.

    Pois é, o famoso Mahatma Gandhi nao era santo e tinha até amante.


    Amor Secreto de Gandhi





     

    O grande segredo de Gandhi, segundo seu próprio neto Rajmohan Gandhi. Um segredo guardado a sete chaves por seus familiares por quase 90 anos.

    Gandhi não apreciava a esposa por ela ser analfabeta e nunca ter ido a escola; e inclusive a torturava psicologicamente como ele mesmo confessou em sua Autobiografia. Assim sendo, era natural que Gandhi se apaixonasse por uma mulher inteligente e educada, correto? Pois foi isso mesmo que aconteceu.

    Gandhi apaixonou-se por Saraladevi, sobrinha do poeta Tagore. Uma moça fina, bem educada e engajada politicamente. Saraladevi era bengalesa, casada, escritora e musicista. Segundo Gandhi, ela tinha uma voz " melodiosa".

    Saraladevi encantava a todos e era considerada a 'Joana d'Arc de Bengala' e a 'deusa Durga que desceu a terra'. Gandhi ficou fascinado por sua inteligência e beleza. A paixão de Gandhi por Saraladevi foi tão intensa que diversas pessoas tentaram dissuadi-lo a larga-la, inclusive seus próprios filhos!!

    A moça era tão cativante e encantadora que até mesmo Swami Vivekananda, de quem ela era discípula, quis que ela o acompanhasse em sua viagem ao exterior. Mas ela não foi.

    Em 1919, enquanto o marido de Saraladevi estava na cadeia, ela assumiu o editorial do jornal Hindustan que pertencia a ele. Nesta mesma época, Gandhi resolveu passar uma temporada em Lahore (que fazia parte da Índia) e advinhe onde ele ficou hospedado??? Isto mesmo, na casa de Saraladevi.

    Logo após sua chegada, Gandhi escreveu uma carta para Anasuyaben dizendo que "a companhia de Saraladevi era muito atrativa e que ela cuidava bem dele".

    Em 1920 Gandhi considerou um "casamento espiritual" com Saraladevi.

    Saraladevi acompanhava Gandhi aos comícios do Punjab onde ela discursava ou cantava. Ela também tecia o próprio pano no tear manual e usava o que tecia segundo os ensinamentos de Gandhi.

    Quando Gandhi regressou a Gujarat ele lhe escrevia cartas contando que sonhava com ela com freqüência e que ela era uma grande shakti.

    Em março de 1920 ela foi visitar Gandhi em seu ashram e passar uns dias com ele. As pessoas do ashram o criticaram pois ele passava muitas horas conversando com ela.

    Gandhi era um homem de notoriedade e muitas mulheres se apaixonaram por ele, no entanto sua esposa Kasturba nunca se importou com isso. A única vez em que ela se afligiu e ficou emocionalmente afetada foi com a longa historia entre Gandhi e Saraladevi.

    Segundo seu neto, Gandhi manteve Saraladevi deliberadamente fora de sua Autobiografia, pois Gandhi confessou a seu amigo Sanger "It was so personal I did not put it into my autobiography" (Foi algo tão pessoal que eu não coloquei em minha autobiografia).

    Diversos amigos e conhecidos queriam o fim do relacionamento entre Gandhi e Saraladevi. Seus filhos, principalmente Devadas, tiveram que fazer diversas intervenções antes que Gandhi finalmente desistisse do relacionamento. Os amigos e parentes de Gandhi temiam que este relacionamento afetasse não somente sua vida pessoal como também sua vida pública, leia-se, política.

    No dia 23 de agosto de 1920, Gandhi escreveu uma carta a Saraladevi, acabando com o relacionamento Ela ficou inconsolável e exigiu uma explicação. A explicação veio somente em dezembro do mesmo ano em forma de carta.

    "I have been analysing my love for you. I have reached a definition of spiritual marriage. It is a partnership between two persons of the opposite sex where the physical is wholly absent. It is therefore possible between brother and sister, father and daughter. It is possible only between two brahmacharis in thought, word and deed…

    Have we that exquisite purity, that perfect coincidence, that perfect merging, that identity of ideals, the self-forgetfulness, that fixity of purpose, that trustfulness? For me I can answer plainly that it is only aspiration. I am unworthy of that companionship with you… This is the big letter I promised."

    Em 1940, a pedido de Saraladevi, Gandhi sugeriu que Dipak, (o filho de Saraladevi) se casasse com Indira Gandhi (filha de seu amigo Jawaharlal Nehru), mas esta sugestão não vingou.

    Após a morte de Saraladevi (1945) e de Gandhi (1948), Dipak, casou-se com Radha, neta de Gandhi.

    Saraladevi e Gandhi não puderam ficar juntos enquanto vivos, mas acabaram unidos pelo casamento do filho de um com a neta do outro!!!

    January 24

    Paranoid Net

    18/01/2008 07:07

    6 motivos para você ficar paranóico enquanto navega


    A verdade está aí - e seus dados também. Mesmo sem helicópteros virtuais te seguindo, não significa que as pessoas não sabem quem você é ou o que você está fazendo.

    Para te ajudar a medir o nível apropriado de histeria, classificamos cada ameaça em nosso Medidor de Paranóia, utilizando uma escala de um a cinco. No caso de uma pontuação mais baixa, o significado é "Não se preocupe, seja feliz". Já se o medidor atingir o número máximo, a mensagem é "Fique com medo. Muito medo".

    Paranóia nº 1: Seu chefe está te vigiando



    Razão nº 1: Privacidade e trabalho não combinam
    Você já teve a sensação de que seu chefe está te espiando? Seu instinto está certo. E quanto maior for a empresa, mais provável que ela monitore os e-mails, comunicadores instantâneos e sites que os empregados acessam.

    De acordo com uma pesquisa de 2005 da American Management Association e do The ePolicy Institute, a cada quatro empresas, três monitoram a navegação de seus funcionários na web - e mais da metade rastreia seus e-mails.

    Além disso, a cada quatro empresas, uma declara ter demitido empregados por abuso de e-mails, e outros 25% dispensaram seus funcionários por navegação inapropriada.

    O maior problema é que as empresas aumentam a vigilância e inevitavelmente coletam informações que não se relacionam ao trabalho dos funcionários, e dá aos administradores a oportunidade de tomar decisões sobre eles - contratar, demitir, promover, etc. - baseadas em critérios além da qualificação e do desempenho profissional.

    Paranóia nº 2: O Google sabe o que você pesquisou no verão passado



    Razão nº 2: Cobiçar seus dados pessoais é a ocupação desta empresa
    Há pouco tempo, o Google era apenas um querido mecanismo de busca. Agora, ele é um monstro de dados - e suas informações pessoais são sua carne.

    A aquisição do DoubleClick deu nova luz à quantidade de dados que a empresa controla - do histórico de buscas a e-mails, calendários, blogs, vídeos e muito mais. A questão é: o que o Google irá fazer com esta vasta quantidade de informações?

    Há algo ainda pior: o Google
    Desktop pode representar um risco de segurança aos dados de seu disco rígido. Uma pesquisa de junho do ano passado, do Ponemon Institute, mostra que mais de 70% acreditam que o Google
    Desktop ainda é vulnerável a ataques que usam scripts maliciosos em múltiplos sites.

    A solução? Tome cuidado sobre como você usa os produtos do Google. Se duvidar, desconecte.

    Paranóia nº 3: Há um fantasma em sua caixa de entrada



    Razão nº 3: Cada chamada pode ser uma conferência com o Tio Sam
    Você se lembra quando a CIA era uma força escura, malevolente, que se escondia nas sombras, grampeando os telefones e lendo as cartas pessoais de norte-americanos? Bem, estes "fantasmas" estão de volta.

    De acordo com uma conta feita pelo jornal The New York Times, os chamados fantasmas estão combinando bilhões de gravações eletrônicas em busca de padrões que possam identificar o comportamento de terroristas.

    A Electronic Frontier Foundation, por exemplo, está processando a AT&T por permitir que estes fantasmas acessem seus centros de dados, e o governo está tentando cancelar o processo sob a afirmação de que estas informações são segredo de Estado.

    Paranóia nº 4: Hollywood quer te exterminar



    Razão nº 4: Aprisionar o último single do 50 Cent pode se traduzir em tempo
    Embora indústrias de música não estejam te espionando, no caso da Recording Industry Association of America e a Motion Picture Association of America, eles têm gente pra isso.

    Especificamente empresas como a BayTSP e a SafeMedia, estas se infiltram em redes P2P para gravar os IPs dos "trocadores" de músicas, junto aos tipos e números de arquivos que estão compartilhando. Um endereço IP não é uma prova positiva de sua identidade, mas é o suficiente para a maioria dos processos civis.

    Se você não usa redes P2P, provavelmente está a salvo. Caso contrário, utilizar redes anônimas de IP, serviços de web proxy ou conexões Wi-Fi abertas pode tornar sua identidade muito mais difícil de traçar, segundo o tecnólogo da Electronic Frontier Foundation, Peter Eckersley.

    Em todo o caso, tendo em vista diversos processos, é sempre bom ter o telefone de seu advogado em mãos.

    Paranóia nº 5: Seu provedor de internet sabe demais



    Razão nº 5: Logs detalhados de tudo que você já fez online
    Sendo a porta de entrada para a comunicação pessoal na internet, as empresas provedoras de internet poderiam criar logaritmos detalhados de tudo que você já fez online: e-mails, navegação, comunicadores instantâneos e outros.

    O potencial para utilizar estas gravações em investigações criminais (ou algo pior) é grande, o que justifica alguns advogados pedirem uma lei que exija que os provedores retenham os dados do usuário por um ano ou mais.

    Paranóia nº 6: Você é seu pior inimigo



    Razão nº 6: Ter 185 milhões de amigos pessoais também tem seu lado ruim
    Quando a questão é compartilhamento de informações pessoais (às vezes pessoais demais), muitas pessoas são seus próprios piores inimigos.

    Tudo bem publicar todos os seus dados online. O problema surge quando, em uma grande entrevista de emprego, te pedem para explicar como você foi parar em um vídeo constrangedor.

    Aproximadamente um a cada cinco contratantes olham uma rede social ao tomar decisões em uma seleção, segundo uma pesquisa da rede social européia Viadeo. E com a proliferação destes sites, o número tende a crescer.

    "Em geral, as pessoas deveriam se preocupar mais com a imagem que divulgam em sites como MySpace ou Facebook", diz o diretor da Privacy Rights Clearinghouse, Beth Givens. "Cada vez mais empresas buscam estes perfis, e você não vai querer parecer um bêbado na praia."

    Ok, você é maravilhoso - mas é preciso detalhar isto ao mundo? Talvez seja a hora de considerar ser um pouco mais anti-social.

    Giz

    O executivo saiu do escritório, encontrou a sua secretária no ponto de

     ônibus e caía a maior chuva. Ele parou o carro e perguntou: *

     *- Você quer uma carona?*

     *- Claro, respondeu ela, entrando no carro.*

     *Chegando no edifício onde ela morava, ele parou o carro para que ela

     saísse e ela o convidou para entrar no seu apartamento. *

     *- Não quer tomar um cafezinho, um whisky, ou alguma coisa?*

     *- Não, obrigado, tenho que ir para Casa.*

     *- Imagine, o Sr. foi tão gentil comigo, vamos entrar só um pouquinho*

     *Ele subiu, atendendo ao pedido da moça.*

     *Ao chegarem no apartamento, ele tomava seu drink enquanto ela foi para

     dentro e voltou toda gostosa e perfumada.Depois de alguns goless, quem pode

     agüentar??? Ele caiu, literalmente. Transou com a secretária e acabou

     adormecendo. Por volta das 4:00 h da manhã, ele acordou, olhou no relógio e

     levou o maior susto.Aí ele pensou um pouco e disse à sua secretária: *

     *- Você me empresta um pedaço de giz?*

     *Ela entregou-lhe o giz, ele pegou, colocou atrás da orelha e foi pra casa.

     Lá chegando, encontrou a mulher louca de raiva e ele foi logo contando.. *

     *- Quando saí do trabalho dei carona para a minha secretaria, depois que

     chegamos no prédio onde ela mora, ela me convidou para subir e me ofereceu

     um drink, em seguida, ela foi para o banho e retornou com uma camisola

     transparente e muito linda, e após vários goles acabamos indo para a cama e

     fizemos amor, aí dormi e acordei agora há pouco.. *

     *A mulher deu um berro e falou:*

     *-Seu mentiroso sem vergonha, estava no bar jogando sinuca com os seus

     amigos, nem sabe mentir, até esqueceu o giz aí atrás da orelha... *

    January 23

    Tudo em um

    iPhone e iPod touch devem ganhar emulador de Super Nintendo

    Foi divulgado pelos desenvolvedores um vídeo com algumas imagens do aplicativo em fase de desenvolvimento

    SÃO PAULO - Está sendo desenvolvido para iPhone e iPod Touch um emulador de Super Nintendo. O projeto ainda está na fase de testes, porém o aplicativo deve ser disponibilizado ao público em breve. Com o emulador, será possível jogar títulos do console que fizeram sucesso na década passada, como F-Zero e Super Mario World, na tela do iPhone ou iPod Touch. 

    video Assista ao vídeo com imagens do emulador

    Para os usuários mais ansiosos, os desenvolvedores do aplicativo poderão recrutá-los como beta-testers em troca de algum donativo. Para saciar a curiosidade dos milhares de usuários que aguardam o lançamento do programa, foi divulgado um vídeo com algumas imagens do aplicativo em fase de desenvolvimento.

    Quadrinho também é cultura!

    HQ & EDUCAÇÃO
    Espírito transformador e às vezes sobrenatural

    Por Wemerson Augusto em 22/1/2008


    As histórias em quadrinhos (HQ), com suas diferentes formas e técnicas de expressão, atraem há tempos diferentes gerações e mídias. Nestes quase 130 anos de existência nos meios de comunicação de massa, as manifestações quadrinísticas sobreviveram à decolagem de muitas outras mídias e julgamentos atrapalhados.

    No Brasil, a estréia da 9ª arte acontece em 1869, com o traço do italiano, naturalizado brasileiro, Angelo Agostini. No desenho desse artista, nascem As Aventuras de Nhô Quim. As narrativas visuais são com personagens permanentes e questionadores dos valores da monarquia da época. A arte, que é muito diferente da qual o público conhece hoje, foi publicada originalmente na revista Vida Fluminense.

    Experimento semelhante, com algumas diferenças ideológicas, foi lançado nos Estados Unidos em 1895. Conhecido no Brasil como Menino Amarelo – Yellow Kid – estampava dezenas de mensagens em sua roupa, com histórias incompletas e sensacionalistas.

    De lá para cá, muitas mudanças ocorreram no universo da linguagem quadrinhográfica. Algumas adaptações foram motivadas pelos avanços tecnológicos, outras por influências literárias. Acomodações que continuam construindo as HQ e fazem delas algo ímpar e às vezes sobrenatural.

    As brigas comerciais dos jornais New York World e New York Journal pelo uso da imagem do menino amarelado não existem mais. Agora, a briga entre os meios de entretenimento é pelo público leitor. O Nhô Quim também não se aventura mais. A monarquia, felizmente ou infelizmente, acabou. Enfim, os tempos e os interesses são outros.

    Aulas com quadrinhos

    Seres quadrinizados migram para as telas de cinemas, literatura, jogos eletrônicos, propaganda, exposições, festivais e shoppings. Baseados em pesquisa de empatia, personagens típicos dos quadrinhos ganham o mundo da ficção e principalmente de jovens e adultos apaixonados pela arte. Além de prestarem serviços instrutivos em manuais técnicos e livros, através das story-board e simulações de diversos contextos em jornais.

    Mesmo com tantas utilidades, uma das maiores instituições de transformação da sociedade, a escola, finge acreditar neste potencial cultural dos quadrinhos. De forma superficial, muitos colégios aplicam exercícios com auxílio de revistas em quadrinhos das principais editoras nacionais e internacionais.

    No país são raros os experimentos verdadeiramente comprometidos para o crescimento crítico do aluno, por meio da linguagem que o mundo vê, e a escola faz de conta que enxerga. São muitos os educadores e ativistas culturais que trilham este caminho e são arduamente interrogados com a seguinte questão: "Assim ,eles vão querer ficar só lendo quadrinhos."

    Então, não seria a hora de elaborar, entre muitas outras atividades, aulas com personagens dos quadrinhos? Por que a imprensa, a indústria cinematográfica e os meios de entretenimento servem-se com tanta freqüência desta literatura?

    Reflexões de Carlos Brickman

    NÚMEROS AO LÉU
    A vida como ela não é

    Por Carlos Brickmann em 22/1/2008


    Varia conforme o site, varia conforme a edição. Mas a quantia que o presidente George Bush pretende injetar no mercado para evitar a recessão nos Estados Unidos varia, de um noticiário para outro, de 130 a 150 bilhões de dólares. Coisa pouca: os 20 bilhões de dólares a mais, ou a menos, são aproximadamente a fortuna de Roman Abramovich, o dono do time do Chelsea, um dos homens mais ricos do mundo. São suficientes para englobar a fortuna de uns vinte Antônios Ermírios. E cobrem com facilidade a CPMF de um ano inteiro.

    Só os números são confusos? Não! O correspondente do Washington Post em Buenos Aires fez longa reportagem sobre a luta de dois sertanistas da Funai para provar a existência do último índio de uma tribo em Roraima. Este índio, diz a reportagem, se hospeda em grutas, vive sozinho e fala uma língua desconhecida.

    Fala com quem, cara-pálida? Se vive sozinho, quem é que o ouviu falar? Se nem sua existência está comprovada, como se sabe onde dorme?

    A matéria lembra um pouco aquele standard que costuma ser divulgado em 19 de abril, Dia do Índio: quando Cabral chegou ao Brasil, havia aqui cinco milhões de índios. E quem os contou? Se hoje, saindo das cidades amazonenses, há lugares em que só se chega após quatro ou cinco dias de barco, como recensear naquela época, e sem sair da praia, os índios que viviam no Alto Rio Negro?

    Razão cabe ao sábio Renato Pompeu, grande caráter, grande texto: para avaliar a precisão do noticiário, leia alguma coisa que você testemunhou. É terrível!

    Os números, sempre

    Agora foi a lavagem das escadas da igreja do Senhor do Bonfim, com 2 milhões de pessoas – ou dois terços da população de Salvador. Os números continuam sendo uma casca de banana no caminho dos jornalistas: como os meios de comunicação se negam a medir o local das manifestações, acaba valendo o número mais interessante para o promotor do evento. E haja milhões!

    Bom, dá para fazer um cálculo aproximado sem medir o local do evento. Não é tão preciso, mas já é alguma coisa. Observe as fotos e vídeos da largada da maratona de Nova York, ou de Paris. É um monte de gente, muita, muita gente. Mais tarde, a organização divulga o nome das pessoas que concluíram a maratona (em número obviamente menor do que os que a iniciaram). Ali deve haver algo como quarenta, cinqüenta mil pessoas. Um milhão é vinte vezes aquela multidão. É gente demais – mais, com certeza, do que cabe na Avenida Paulista [ver "Sempre cabe mais um milhão"].

    A vida e a morte

    Primeiro surgiu a turma do "risco de morte", em vez do tradicional risco de vida. Agora a coisa está evoluindo: há quem defenda a tese de que "risco de vida" é uma expressão errada. Não, não é: nem literária, nem juridicamente. E, se o jornalista Rogério Mendelski a utiliza, com certeza não está errada.

    Tomemos na literatura a doença do momento: em O Cortiço, Aluísio Azevedo escreve: "Delporto e Pompeo foram varridos pela febre amarela e três outros italianos estiveram em risco de vida". Em Quincas Borba, de Machado de Assis, há um "salvar uma criança com risco da própria vida".

    Nos dicionários, veja Houaiss: "risco de vida". No Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, da Academia de Ciências de Lisboa, "risco de vida" e "perigo iminente de morte" são tratadas como expressões equivalentes.

    Juridicamente, diz o Código de Ética Médica: "em iminente risco de vida". E há as Gratificações por Risco de Vida.

    Quem quiser falar em risco de morte, sinta-se à vontade. Está correto. Mas risco de vida é tão correto quanto – e muito mais tradicional.

    Pode ou não filmar?

    FLASHES NA AUDIÊNCIA
    Justiça discute se imagem do réu está sujeita a sigilo

    Por Débora Pinho em 22/1/2008

    Reproduzido do Consultor Jurídico, 18/1/2008

    Os limites da imprensa para divulgar imagens de audiências em que os processos correm em segredo de justiça passaram a dividir opiniões recentemente. A questão central girou em torno da necessidade da aplicação do sigilo nas ações judiciais que despertam o interesse público. O cenário que gerou a discussão no mundo jurídico foi o Fórum da Comarca de Cuiabá, em Mato Grosso.

    No dia 11 de janeiro deste ano, o juiz Rondon Bassil Dower Filho, da 4ª Vara Criminal de Cuiabá, deu voz de prisão aos cinegrafistas Belmiro Dias, da TV Record; Marcos Alves, da TV Centro América, filiada da Rede Globo; e ao fotógrafo Otmar de Oliveira, do jornal A Gazeta. Eles tentavam registrar imagens da audiência em que prestavam depoimentos acusados de formação de quadrilha e corrupção ativa e passiva dentro da 2ª Vara Criminal do Fórum de Cuiabá.

    O caso é famoso. Servidoras e ex-estagiários respondem à acusação de que montaram um esquema ilegal no Fórum para agilizar o trâmite de processos de presos. A ex-escrevente, Beatriz Árias, condenada como co-autora pela morte do juiz Leopoldino Marques do Amaral, é uma das rés. Ela é acusada de intermediar as negociações com advogados.

    O cerne da questão é o segredo de justiça decretado no processo. Depois de mais de 40 minutos de audiência, os cinegrafistas e o fotógrafo passaram por uma ante-sala que estava sem funcionários para dar informações sobre a possibilidade de se fazer imagens no local dos depoimentos. Como a porta onde acontecia a sessão estava aberta, eles tentaram fazer as imagens. O juiz deu voz de prisão a eles, que somente foram liberados depois de assinar documento comprometendo-se a não divulgar as imagens.

    Vozes e imagens

    A possibilidade de divulgação de imagens e vozes em audiências, cujos processos correm em segredo de justiça, levantou uma questão de Direito: a voz e a imagem das pessoas estão em segredo de justiça assim como o processo?

    Uma corrente jurídica defende que sim. Afirma que não pode ser gravada nem a voz nem a imagem dentro das audiências porque aqueles atos são sigilosos e fazem parte da tramitação do processo. Gravações somente podem ser feitas na entrada e na saída, mas não nas salas de audiências.

    Outra corrente afirma que apenas a voz não pode ser gravada, mas a imagem sim. Essa corrente considera que o processo e as vozes, que são transcritas para integrar os autos, fazem parte do sigilo judicial. E existe ainda quem defenda que as imagens podem ser divulgadas desde que entregues por uma fonte.

    O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, considera que nem mesmo filmagens ou fotografias podem ser permitidas nos locais de audiências sigilosas. Os motivos são simples. Nas filmagens, há áudios que podem ser reproduzidos posteriormente na TV. E fotógrafos podem narrar os fatos para um jornalista reportar no jornal. Dessa forma, para o ministro, o segredo perderia o significado. Entretanto, os acusados podem ser filmados fora do ambiente em que são interrogados.

    O presidente da OAB de Mato Grosso, Francisco Faiad, também advogado do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, afirma que não haveria prejuízos para o processo se as imagens fossem feitas no Fórum. "Bastava o juiz paralisar o interrogatório enquanto eram feitas as imagens. Depois, pediria para os cinegrafistas e fotógrafo saírem e prosseguiria a audiência", explica o presidente da OAB.

    O advogado das Organizações Globo, Nilson Jacob, especialista em crimes de imprensa, entende que não podem ser feitas filmagens, fotos e gravações de audiência cujo processo corre em sigilo. "Entretanto, o material pode ser levado ao ar se for obtido por outras fontes posteriormente", ressalva. Para Jacob, "não há nenhum crime nesse caso porque a proibição vale apenas durante a audiência ou o julgamento". O problema de filmar, gravar ou fotografar os fatos na hora é que os réus e testemunhas podem ficar constrangidos, explica ele.

    O segredo

    A necessidade de o caso tramitar em sigilo e a falha administrativa do Fórum, que não tinha nenhum servidor para advertir os cinegrafistas e fotógrafo sobre a proibição das imagens, são alguns dos pontos que merecem reflexão. Afinal, se a audiência era privativa, a porta não deveria nem mesmo estar aberta. E o mínimo que se espera de um órgão público é que haja funcionários para prestar informações ao público. "O próprio juiz reconheceu que não houve dolo porque não havia funcionários para informá-los sobre o segredo de justiça nem um aviso. Eles não terão de responder por isso", explica Faiad.

    É importante lembrar o que diz o artigo 93, inciso IX, da Constituição Federal: "Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação".

    O ministro Carlos Ayres Britto, do STF, tem a tendência de privilegiar sempre em seus julgamentos mais a informação do que o sigilo. Para tanto, tem como base o trecho final do artigo 93. Ele tem entendido que o sigilo é exceção. A regra é a transparência dos autos. O ministro Marco Aurélio e o vice-presidente do Supremo, Gilmar Mendes, pensam da mesma forma. Sempre enfatizam o interesse público.

    No entanto, Gilmar Mendes é cauteloso quando o assunto é segredo de justiça. Ele considera perigoso criar algum tipo de imunidade para jornalistas por causa da projeção que se pode atingir. Em tese, se houvesse tal imunidade, seria aberta brecha até mesmo para os profissionais contratarem alguém para bisbilhotar conversas telefônicas. "Liberdade de imprensa tem limites. No estado de direito, não há soberanos. Todos estão submetidos às regras", diz ele. No entanto, Gilmar Mendes reconhece que a imprensa não pode ser impedida de noticiar fatos em segredo de justiça se os documentos lhe são enviados, por exemplo, ou se chega à informação de outra forma. É o que ele chama de acesso livre aos fatos.

    Ecos

    Depois do episódio, representantes de advogados e desembargadores manifestaram solidariedade aos cinegrafistas e fotógrafo. O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Paulo Lessa, emitiu nota para lamentar o fato. "Estamos trabalhando intensamente pela construção de uma Justiça mais acessível, efetiva e transparente e a imprensa tem papel fundamental nesse processo", afirmou. A OAB considerou "desproporcional" a medida adotada pelo juiz.

    Nesta sexta-feira (18/1), o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso divulgou nota em que repudia o acontecimento [ver abaixo]. A nota deve ser enviada ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso e ao Conselho Nacional de Justiça.

    Neologismos do futebol

    FUTEBOL & NEOLOGISMOS
    O debate desfocado dos estrangeirismos

    Por Deonísio da Silva em 22/1/2008


    Narradores e comentaristas de futebol deram, ao longo de décadas, uma preciosa lição de língua portuguesa. Aceitaram os inevitáveis neologismos de um esporte cujo berço foi a Inglaterra, mas adaptaram os vocábulos estrangeiros. Nas seções dos jornais – "Há Cinqüenta Anos" –, é possível rastrear as alterações havidas na viagem das palavras.

    Assim, goal virou gol; goal keeper, depois keeper, quíper e, por fim, goleiro.

    Beque chegou a ser escrito backbacck e backs nas revistas A Cigarra e Fon-fon – até consolidar-se como beque, ao ser acolhida esta forma pelo Dicionário Aurélio, já na década de 1970.

    Mais tarde, foi substituído pelo espanhol zaguero, depois adaptado para o português zagueiro, desdobrado em quarto-zagueiro e zagueiro-central.

    Há apenas algumas décadas, foram introduzidas as variantes ala e lateral, de que são exemplos lateral-direito e lateral-esquerdo. O ala, provável contribuição do técnico Cláudio Coutinho, mudou a designação de lateral porque ele queria que os laterais avançassem e os pontas recuassem para ajudar a defesa, invertendo posições, como Zagalo – hoje Zagallo, por opção própria – já tinha feito na Copa de 1958.

    Mídia não era arrogante

    Hoje, é comum que os narradores digam que o time tal vai jogar com dois volantes, mas nos primórdios do futebol foi apenas um e era conhecido como center-half. O centroavante já foi center-forward quando os cinqüentões de hoje eram meninos.

    Sou a favor de que seja discutido o projeto do deputado Aldo Rebelo. Algo tem que ser feito para coibir os abusos, para sinalizar que a língua portuguesa tem dono, que não são os gramáticos, mas o povo.

    O Prêmio Nobel de Literatura José Saramago, que não pode ser considerado ortodoxo em matéria de gramática da língua portuguesa, cada vez que vem ao Brasil espanta-se com a enxurrada de neologismos dispensáveis, às vezes em estado bruto, sequer adaptados à língua portuguesa. As empresas aéreas, por exemplo, continuam escrevendo ticket em vez de tíquete ou bilhete.

    Alguns podem objetar que não foi necessária lei alguma para que as adaptações fossem feitas no futebol. É verdade, mas naquele tempo a mídia não era arrogante e, humilde, pelo menos no campo do futebol, ia acolhendo os registros populares.

    Já não se aprende a ler...

    Hoje o quadro é diferente. A mídia já tentou impor play-offs em vez de semifinal e final, tão brasileiras, por influências do tênis, que, aliás, já foi grafado tennis.

    Há exemplos da ditadura da mídia em outros campos, tal como song book, na música, em lugar da bela palavra, genuinamente portuguesa, cancioneiro.

    Há também outras distorções. Os telejornalistas já não nos desejam os tradicionais cumprimentos de bom-dia, boa-tarde ou boa-noite, mas apenas variações ridículas do exagero, tomado como medida usual. Assim, ótimo dia, excelente tarde e excelente noite entraram como insolentes curingas nesse estranho torneado da nova língua portuguesa que querem nos impor. Naturalmente, em inglês dirão good morning, pois a língua inglesa respeitam!

    E que faz a escola? Ensina a língua portuguesa com métodos e bibliografias que estão levando ao rebaixamento e ao descalabro em que nos encontramos: já não se aprende a ler nem a escrever nas primeiras séries do ensino fundamental.

    Foi neste contexto que surgiram os colunistas especializados em língua portuguesa. Alguns deles se dizem professores, mas também neste caso a designação é problemática.


    Notícia apressada

    TSE & ESCOLARIDADE DO ELEITOR
    Obra-prima do jornalismo apressado

    Por Venício A. de Lima em 22/1/2008


    O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vem divulgando, ao longo desse mês de janeiro, diferentes informações sobre os eleitores brasileiros consolidadas para dezembro de 2007. Na quarta feira (16/1), foi a vez da escolaridade do eleitor. Trata-se de dados de grande interesse público, sobretudo para políticos, partidos e outras entidades envolvidas no processo eleitoral no ano em que serão realizadas eleições municipais em todo o país.

    Como não poderia deixar de ser, houve repercussão imediata na grande mídia. O principal telejornal da televisão brasileira, o Jornal Nacional da Rede Globo, deu matéria com a chamada "Mais de 6% dos eleitores brasileiros são analfabetos", seguida do texto:

    "Mais da metade dos eleitores brasileiros não completou o ensino fundamental. O levantamento do Tribunal Superior Eleitoral mostra ainda que mais de 6% são analfabetos e pouco mais de 3% têm formação universitária. O Nordeste concentra o maior percentual de eleitores com baixo grau de escolaridade: 70% não completaram o ensino fundamental."

    No dia seguinte (17/1), os principais jornais de referência nacional trouxeram matéria sobre o assunto com os seguintes títulos:

    ** O Globo: "Maioria dos eleitores tem baixa escolaridade"

    ** Folha de S.Paulo: "51% dos eleitores não têm ensino fundamental"

    ** O Estado de S.Paulo: "57,96% dos eleitores têm baixa escolaridade"

    ** Jornal do Brasil: "Eleitores têm baixa escolaridade"

    ** Correio Braziliense: "Eleitores estudaram pouco"

    O enquadramento predominante nas matérias salientava o "quadro dramático" da baixa escolaridade dos eleitores brasileiros, expresso no fato de que a maioria deles "não conseguiu sequer completar o ensino fundamental" e também nas enormes desigualdades regionais.

    No Estadão e no Correio há também a opinião de dois cientistas políticos – versão impressa dos fast-thinkers de Pierre Bourdieu – interpretando os dados do TSE como indicadores de que "cria-se um ambiente pavimentado para quem quiser se eleger, se aproveitar" e de que "esse tipo de eleitor [de baixa escolaridade] é mais suscetível à barganha. Qualquer oferta de tijolos, telhado, qualquer favor pode influenciar" (sic).

    Jornais comeram mosca

    É necessário, no entanto, que se façam qualificações importantes sobre os dados do TSE e, sobretudo, sobre a forma de sua divulgação pela grande mídia.

    1. Primeiro, o leitor atento deve ter observado que nas matérias de quatro dos cinco jornalões brasileiros – O Globo não julgou necessário incluir a informação – havia, apenas de passagem, uma advertência fundamental feita pelo próprio TSE: "os dados podem apresentar defasagens porque a escolaridade foi declarada no ato do alistamento".

    O que isso significa exatamente?

    Ao contrário das informações sobre faixa etária, atualizadas anualmente a partir da data de nascimento do eleitor, a escolaridade para o TSE continua a ser aquela declarada quando se faz o alistamento eleitoral. Quem se alistou com 18 anos (até 1988) ou com 16 (desde a Constituição de 1988), quando – no limite – se alcançava o 2º grau (hoje, ensino médio), mesmo que tenha prosseguido nos estudos (concluído o ensino médio e/ou o superior) aparecerá nas estatísticas com a escolaridade declarada no alistamento, salvo se procurar o TSE para atualização dos dados. Vale dizer, os dados do TSE sobre escolaridade do eleitor são apenas indicativos, não podem ser considerados como estatisticamente confiáveis.

    Ao analisar as eleições presidenciais de 2006, o sociólogo Marcos Coimbra, diretor do Instituto Vox Populi, atribui às mudanças nos padrões de escolaridade a primeira e mais fundamental razão para a inadequação do modelo de "formação de opiniões" que prevalece entre nós. Valendo-se de dados do censo do IBGE e da PNAD, ele comenta que...

    "...na nossa primeira eleição presidencial moderna, apenas 20% dos eleitores tinha mais que o primeiro grau. Hoje, ultrapassam os 40%. Inversamente, a parcela com baixíssima escolaridade caiu de perto de 60%, para cerca de um terço do eleitorado. Em termos absolutos, tivemos, em 2006, mais de cinqüenta milhões de eleitores com, pelo menos, parte do segundo grau, com ele completo ou com acesso à educação superior, contra apenas dezoito milhões em 1989, nas mesmas condições". [cf. quadro abaixo e Marcos Coimbra, "A mídia teve algum papel durante o processo eleitoral de 2006?" in V. A. de Lima (org.); A mídia nas eleições de 2006; Perseu Abramo, 2007).

    Escolaridade do Eleitorado - Brasil 1989 e 2005


    BRASIL

    1989

    2005

    Escolaridade

    Absoluto

    %

    Absoluto

    %

    Até 4ª série

    48741633

    56%

    47136619

    36%

    De 5ª a 8ª série

    19837525

    23%

    32087755

    24%

    Médio

    11981801

    14%

    37626761

    29%

    Superior

    6052157

    7%

    14424707

    11%

    Fonte: IBGE/PNAD-1989/2005.

    Da mesma forma, a sexta edição do Indicador de Alfabetismo Funcional (INAF/Brasil), estudo realizado pelo Ibope em parceria com o Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, divulgado em dezembro de 2007, revela significativo avanço em termos de alfabetismo funcional (ver quadro abaixo).

    Evolução do Indicador de Alfabetismo Funcional

    RESPOSTA

    TOTAL

    2001-2002

    2002-2003

    2003-2004

    2004-2005

    2007

    BASE

    12.006

    4.000

    4.000

    4.002

    4.004

    2.002

    Analfabeto

    11%

    12%

    13%

    12%

    11%

    7%

    Rudimentar

    26%

    27%

    26%

    26%

    26%

    25%

    Básico

    37%

    34%

    36%

    37%

    38%

    40%

    Pleno

    26%

    26%

    25%

    25%

    26%

    28%

    Analfabetos funcionais

    37%

    39%

    39%

    37%

    37%

    32%

    Alfabetizados funcionalmente

    63%

    61%

    61%

    63%

    63%

    68%

    As conclusões do estudo indicam:

    "Reduz-se a proporção de indivíduos classificados como analfabetos absolutos e no nível rudimentar de alfabetismo (equivalente, neste ano, a 7% e 25% da população na faixa etária pesquisada, ante 12% e 27% nas primeiras edições do INAF em 2001/2002). Já os níveis básico e pleno têm crescido solidamente: de 34% para 40% e de 26% para 28%, respectivamente no mesmo período. Esta evolução pode ser associada à crescente escolarização da população brasileira, que aumentou significativamente nas últimas décadas. A parcela de crianças e adolescentes entre 7 e 14 anos freqüentando a escola, por exemplo, praticamente se universalizou, graças ao maior acesso e permanência na escola" [ver aqui].

    Como se vê, ao não questionarem os dados do TSE e não contextualizá-los em perspectiva histórica, os jornalões deixaram de perceber que a grande notícia sobre a escolaridade dos eleitores no Brasil é o seu formidável avanço nos últimos anos e, inclusive, as importantes implicações desse avanço já observadas no comportamento eleitoral.

    Leitura do mundo

    2. Um segundo ponto que o leitor deverá ter observado é que, embora as matérias dos jornalões (e do JN) se refiram ao fato da maioria dos eleitores não haver conseguido completar o "ensino fundamental", não existe nelas qualquer explicação sobre o que seja ensino fundamental. Na verdade, desde 2006 (Lei nº 11.274), o artigo 32 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação passou a ter a seguinte redação:

    "O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante: I - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo; II - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade; III - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; IV - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social."

    O ensino fundamental completo, portanto, se refere hoje ao que antigamente se chamava de 1º grau, acrescido de mais um ano, isto é, um ano do antigo pré-primário, todo o antigo curso primário mais o antigo ginásio. Não é apenas saber ler e escrever, é muito mais do que isso.

    3. Terceiro, e talvez mais importante, o leitor atento haverá notado que as matérias dos jornalões não fazem qualquer diferença entre escolaridade e capacidade cognitiva, de análise, do eleitor. Independente do fato de que a escolaridade se relaciona positivamente com maior articulação do pensamento e capacidade crítica, a ausência de instrução formal não pode ser identificada, sem mais, com a incapacidade de pensar e raciocinar de forma independente. O que se viu nas eleições de 2006, aliás, foi exatamente o contrário.

    Desde a década de 1960, nosso maior educador, Paulo Freire, já chamava atenção para o fato de que mais importante do que ser alfabetizado, isto é, saber ler e escrever, era saber "ler o mundo". Aliás, Freire mostrou que, muitas vezes, o processo de alfabetização formal (do tipo "Pedro viu a asa; a asa é da ave" e "Eva viu a uva") dificulta a aprendizagem da leitura do mundo, ao contrário de facilitá-la.

    No mundo contemporâneo, a escola e a educação formal fornecem apenas parte do imenso conjunto de informações de que cada um de nós necessita para fazer o sentido do mundo, compreendê-lo e tomar as decisões do dia-a-dia, inclusive nos processos eleitorais.

    Jornalismo apressado

    No final das contas, as matérias sobre os dados divulgados pelo TSE revelam a pobre qualidade do jornalismo que, infelizmente, tem prevalecido na grande mídia brasileira: não se questionam nem se contextualizam as informações. Esse jornalismo apressado e pouco profissional, além de desrespeitar e informar mal ao leitor, certamente contribui para distanciar, ainda mais, a mídia brasileira de seu principal papel, que é servir ao interesse público.

    Da Série: Esse povo me mata de vergonha...

    Vereador faz 'sessão de exorcismo' em Pelotas-RS
    Agência Estado
    O vereador Cláudio Roberto dos Santos Insaurriaga (PV), mais conhecido como Cururu, de Pelotas, na região sul do Rio Grande do Sul, tentou nesta terça-feira desfazer um "trabalho de magia negra" contra os vereadores, depois de se aconselhar com especialistas no assunto. Cururu transformou uma reunião em plenário da Câmara Municipal em sessão de exorcismo.

    Vestido com uma túnica branca, uma coroa de espinhos e um crucifixo no peito, ele afirmou que desfazia um ritual contra os parlamentares. A bruxaria citada por Cururu foi a aparição de um pequeno caixão preto com sete bonecos dentro, cinco dos quais com fotos de vereadores, e todos espetados com alfinetes, na quinta-feira, no porão do prédio da Câmara.