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日志


6月30日

Joãozinho, sempre ele!

No parque, Joãozinho pede dinheiro a sua mãe para dar a um velhinho. A mãe sensibilizada, dá o dinheiro, mas pergunta ao filho:

_ Para qual velhinho você vai dar o dinheiro, meu anjo?

_Para aquele ali que está gritando"Olha a pipoca quentinha!"

Curtura Brasirêra

JAPONESES NO BRASIL
Cultura da falta de cultura

Por José Pedro Jobim Fontoura em 24/6/2008

Não estou nestas CPIs todas, mas confesso: não li os livros do Machado de Assis que deveria. Não conheço a obra do Glauber Rocha, do Vinícius de Moraes, do Nelson Rodrigues ou de qualquer outro artista ou pensador fundamental na nossa história recente. Vou à feira do livro de Porto Alegre para passear e comer algodão-doce. Resolvo parcialmente as palavras cruzadas do jornal. Colava nas provas de História. Não sei muito do que se diz no hino nacional. Não tenho cultura. De manhã bem cedo, junto com o café, também não leio cultura.

A importância que a imprensa brasileira – de uma forma geral – concede aos 100 anos da imigração japonesa no Brasil é um deboche, uma afronta à nossa própria cultura, ou ainda, à nossa falta dela. Em suma: a imprensa gosta de ser investigativa quando os responsáveis por determinada questão cabem na palma da mão. É o Maluf lá. O pai e a madrasta da menininha no condomínio. O Ronaldo no motel. O deputado vil na assembléia. Assim é elementar.

Agora, quando o gancho recai sobre o colo de todos – e todos, sem exceção – da sociedade, a coisa toda vira grego, digo, japonês. Ora, por que não falamos da nossa cultura? Convenhamos. Somos todos italianos, alemães, espanhóis, poloneses, estrangeiros que falam português e que sabem pouco de si próprios, de sua história.

O Brasil é quintal para inglês ver. Aqui, cultura é sinônimo de futebol, feijoada, Gonzaguinha e feriado, apelidado de Carnaval. Pobres dos índios, que chegaram aqui primeiro e só são notícia com facão na mão. Cem anos de imigração japonesa e 508 sem cultura. Boa mesma era minha tia-avó que matava todas as cruzadinhas numa sentada. Nível "cobrão".

Tá todo mundo lôco!

VIDA CORPORATIVA
A máquina de fazer louco

Por Paulo Nassar em 24/6/2008

Publicado originalmente no Terra Magazine, 21/6/2008

Em junho de 2008, em uma área comercial de Tóquio, o operário Tomohiro Kato, esfaqueou e matou sete pessoas e feriu mais dez. O crime foi anunciado, em detalhes, no blog do trabalhador. E, em seu diário eletrônico, ele tentou explicar a sua loucura: "Eu valho menos que lixo, porque ele pelo menos é reciclado". Uma triste história, produzida no ambiente das megacidades, em que potencialmente todos são mais um dentro de estruturas organizacionais produtoras de insanidades.

O cinema – que se interessa por dramas como o relatado – tem, também, produzido críticas contundentes aos modelos organizacionais, sejam eles aplicados em empresas e instituições. Inicia a fila de cacetadas no que acontece nas linhas de produção Tempos Modernos (EUA, 1936), obra-prima, que tem o roteiro, a direção e a atuação principal de Charles Chaplin. Neste filme, o processo de trabalho, fragmentado em tarefas e que transforma o homem em máquina, é expresso nas seqüências em que o personagem de Chaplin é arrastado por gigantescas engrenagens e, em outra, ele faz a sua refeição em uma máquina de comer, protótipo visionário dos atuais restaurantes de comida fast-food. As modernas doenças, mentais e físicas, causadas pelo trabalho repetitivo, também estão no filme, na cena em que o operário, enlouquecido, não consegue mais distinguir porcas de botões, persegue uma mulher para apertar os botões de seu vestido, satiricamente costurados na altura dos bicos dos seios.

Além das paredes

O ambiente da maquinaria empresarial que tira as pessoas do sério é tema de FormiguinhaZ ( EUA, 1998), dirigido por Eric Darnell e Tim Johnson, e, destaque para a voz de Woody Allen, um desenho que critica organizações que não têm espaço para as pessoas que não querem guerrear para conquistar ou manter uma posição em sua hierarquia. A empresa, na metáfora passada no formigueiro, é lugar de competição, luta e conflito permanentes. O salário, o bônus e os reconhecimentos são troféus de uma guerra, que, de repente, sangra nas ruas e vira manchete, como no caso do trabalhador japonês.

O controle corporativo, que, mais cedo ou mais tarde, transforma pessoa em fera, é analisado em O Show de Truman (EUA, 1998). Neste filme, Truman Burbank, protagonizado por Jim Carrey, é um individuo que desde o seu nascimento, sem que ele saiba, vive com uma câmera de televisão, em tempo real, acompanhando a sua vida, e, pior do que isso, transmitindo para todo o país. Até o dia em que Burbank descobre que vive dentro de um cenário, onde a cidade e os papéis sociais vividos ali são parte de um cenário. Nada ali é verdadeiro.

O personagem do reality show escapa do programa e foge para além das paredes cenográficas. Em direção a outras organizações, onde homens e mulheres vivem outras situações semelhantes. Lembrando semelhanças, ainda em Tóquio, em janeiro, também de 2008, outro operário esfaqueou algumas pessoas num centro comercial.

Nada se Cria

MÍDIA & CIÊNCIA
Combustível de araque

Por Jonas Paulo Negreiros em 24/6/2008

"Japão apresenta veículo movido a água. Protótipo pode ser abastecido com água de chuva, do mar ou até com chá."

Esta notícia chegou ao Brasil com o aval da BBC. Deu até no Jornal Nacional.

Curioso. Como pipocam notícias estranhas toda vez que o preço do petróleo explode. Não culpo a imprensa. Jornalista não é cientista. O golpe da água como combustível já enganou especialistas descuidados.

Os dois tipos de motores mais utilizados pela civilização derivam de duas tecnologias: os elétricos, usados nas aplicações domésticas e industriais e os térmicos, usados em veículos.

Motores térmicos dependem da caloria de algum tipo de combustível para gerar movimento: lenha, carvão, álcool, hidrogênio, querosene, gasolina, diesel ou biodiesel. Após a queima (controlada) da lenha, temos o carvão. Após a queima do carvão, temos apenas cinzas. A cinza é produto final de toda a combustão (calcinação) e dela não pode ser extraída mais energia térmica alguma.

Pois, é. Após a queima do hidrogênio, obtemos água. A água é a "cinza" da reação exotérmica entre o hidrogênio e o oxigênio. Após a explosão do hidrogênio, sobra a água, sem qualquer poder de combustão.

Nada se cria, tudo se transforma

Como essa "cinza de uma reação" pode mover um motor térmico?

Embora a água seja uma "cinza de uma reação térmica", ela pode ser transformada em hidrogênio e oxigênio novamente. As técnicas de decomposição da água são duas: separação das moléculas em altíssimas temperaturas ou eletrólise. A experiência da eletrólise é muito conhecida pelos estudantes secundaristas.

Alguém se lembra do voltâmetro?

Dois tubos de ensaio, ligados a dois eletrodos mergulhados em água salgada, alimentados por uma bateria externa, separam o hidrogênio do oxigênio. Pois é, para se separar o hidrogênio gasta-se uma absurda quantidade de energia... A energia térmica que o hidrogênio produz durante a sua combustão é exatamente a mesma que é necessária para "sacá-lo" da água.

Logo, esses carros "híbridos" (que transformam água em hidrogênio) continuam funcionando a gasolina!

"Na natureza nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma" (Lavoisier).

Quanto aos produtores de petróleo, não se assustem: a água é um combustível de araque.

Ponto Tudo

INTERNET
Icann aprova adoção de novos domínios

em 27/6/2008

A Icann (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), organização mundial que administra os endereços da internet, votou na quinta-feira (26/6) pelo afrouxamento de suas regras, permitindo novos domínios além dos conhecidos ".com", ".org", ".net" e aqueles com terminações de países, como ".br". Agora, será possível obter sufixos como ".love", por exemplo. A agência aprovou por unanimidade as novas diretrizes no último dia de sua conferência anual, em Paris. É a primeira grande mudança do sistema de endereços da rede em seus 25 anos de existência.

Os domínios de internet são essenciais para "ajudar" os computadores a encontrar sítios e direcionar e-mails. A instalação de novos sufixos permitirá a ampliação de nomes fáceis e disputados de páginas de internet – hoje já tomados, em sua grande maioria, pelo sufixo ".com". Também deverão ser permitidos nomes em caracteres de alfabetos como árabe e mandarim.

Ajustes

Na fase inicial do projeto, candidatos a novos nomes serão avaliados e objeções poderão ser feitas com base em quesitos como racismo, conflitos de marca registrada e similaridade a um sufixo já existente. Alguns membros do conselho da Icann afirmaram, entretanto, que é preciso certos cuidados para não transformar a organização em um regime de censura. "Se implementada de maneira ampla, estas diretrizes permitiriam que qualquer governo vetasse um arranjo de letras com que não concorde", afirmou a professora de direito da Universidade de Yale Susan Crawford, membro do conselho. Apesar de ter votado a favor das mudanças, Susan pediu mais "clareza" nas regras.

A Icann afirmou que ainda serão necessários ajustes técnicos para a implementação dos novos domínios, mas calcula que os primeiros deverão estar disponíveis já nos próximos meses. Detalhes como o preço para a obtenção dos novos nomes também deverão ser discutidos, mas a agência estima que excedam US$ 100 mil por endereço – com o objetivo de ajudar a Icann a cobrir os custos de mais de US$ 20 milhões do projeto. Com informações de Anick Jesdanun [AP, 26/6/08].

Até que ponto não é censura?

CENSURA TOGADA
A escalada contra a imprensa

Por Roberto Romano em 30/6/2008

Reproduzido de “Tendências/Debates” da Folha de S.Paulo, 29/6/2008; intertítulos do OI

A cidadania brasileira, cansada de lutar contra os desvios do Executivo e do Legislativo, hoje testemunha a instalação do arbítrio em várias ações de magistrados. Alguns juízes e promotores extrapolam os legítimos limites de seu múnus, desprezam os contribuintes e decidem o que as "pessoas comuns" podem ler, ver, ouvir. As desculpas para a censura enunciam a defesa dos costumes, a luta contra a corrupção ou normas emanadas do próprio Judiciário. Assim, magistrados assumem o papel de legislar.

Seria importante rever os momentos inaugurais do Estado moderno para intuir o desvio que se evidencia no Brasil, sobretudo nos atentados à livre imprensa. Os juízes, afirma Bacon (Of judicature), "devem recordar que seu ofício é jus dicere, e não jus dare. Interpretar a lei, e não legislar. O dever do juiz é suprimir a força e a fraude, pois a força é mais perniciosa quando aberta, e a fraude, quando oculta e disfarçada. Os juízes devem se acautelar contra as construções sistemáticas e inferências, pois não existe tortura pior do que a tortura das leis. (...) Tudo o que estiver além disso é demasiado e procede da glória, do comichão de falar, da impaciência em ouvir, da memória curta ou da falta de atenção".

A escalada rumo ao arbítrio de algumas togas não é de ontem. Ela se une aos atos de promotores que, por excesso de zelo ou desejo de potência, reivindicam para si mesmos a tutela da cidadania.

Algo sinistro

Em 2005, o procurador Bruno Acioli tenta quebrar o sigilo jornalístico, sob o pretexto de combate à corrupção. Neste espaço (3/12/2005), ele transforma um mandamento constitucional ("A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição", art. 220) em via para flexibilizar o sigilo jornalístico.
Evoca o autor o caráter sistemático das garantias democráticas: "(...) a liberdade de manifestação de pensamento, o direito à informação e o sigilo de fonte estão intimamente ligados. Conseqüência disso é que não haverá que se falar em manutenção do sigilo de fonte todas as vezes em que esse for prescindível ao exercício profissional ou sempre que o indigitado sigilo deixar de atender a sua função social, a saber: garantir o acesso de todos à informação e à liberdade de manifestação de pensamento".

Soberano, diz um jurista totalitário, é quem decide sobre a exceção. Perguntemos: quem decide, como decide, por que alguém decide ser a quebra do sigilo prescindível "ao exercício profissional"? Quem decide que o "indigitado" sigilo perdeu a sua função social? O procurador e o juiz?

Ficamos sabendo que existem mentes superiores que decidem sobre a suspensão de direitos, pois o sigilo implica um complexo de direitos que o sustenta. "Inexistem direito ou garantia absolutos. Nem mesmo o direito à vida é ilimitado, haja vista a possibilidade de aplicação da pena de morte na hipótese de guerra" (Acioli). O direito à vida é ilimitado. Quem o nega abre as portas para as violações resultantes. Apelar para a guerra para suspender direitos, quando não existe guerra, é antecipar algo sinistro.

E algo sinistro surgiu como fruto da beligerância contra a imprensa. Revistas e jornais têm sido censurados com base em normas cuja magnitude não é a da própria Constituição. Nas multas à Folha e à revista Veja, por entrevistas com candidatos à Prefeitura de São Paulo, as sanções se deviam a uma ordem que, reconhecida a sua inconveniência, foi modificada por quem de direito. No caso da censura imposta ao Jornal da Tarde, a questão é ainda mais complexa.

Força e fraude

Voltemos às notas de Bacon, um instaurador do Estado moderno: antes de sentenciar (antes mesmo de denunciar, no caso da Promotoria), a prudência recomenda ouvir os vários segmentos e o próprio autor que editou a norma. Esta, como reconhece o ilustre ministro Ayres Britto, vai contra a democracia, pois o núcleo do regime é o povo, único soberano.

O titular da "maiestas" deve saber, antes de votar, o que pensam e pretendem os candidatos à representação. Discutir plataformas políticas é o mais comezinho dever dos que afirmam servir ao povo. Proibir tal prerrogativa é subverter a essência democrática. E, para entender a liberdade de imprensa no regime democrático, é preciso captar o significado da própria liberdade política.

No verbete "liberdade" da Enciclopédia elaborada por Diderot, o dicionário que mais contribuiu para a civilização moderna, o essencial da liberdade está "na inteligência que envolve um conhecimento distinto do objeto da deliberação". Exatamente o que proíbe a norma, agora adaptada. Não seria preciso tanta celeuma. A imprensa apenas segue seu alvo: denunciar a força e a fraude, sobretudo quando elas são ocultas ou disfarçadas. Bastaria, portanto, prudência, respeito pelos cidadãos e por seus direitos. Bastaria que alguns juízes soubessem que sua missão é jus dicere, não jus dare.



Pequena$$$ Igreja$$$, Grande$$$ Negócio$$$

MORRO DA PROVIDÊNCIA, RIO
A obra do bispo

Por Luciano Martins Costa em 25/6/2008

Comentário para o programa radiofônico do OI, 25/6/2008

A notícia de que a Justiça Eleitoral do Rio mandou suspender as obras na favela da Providência está presente com destaque em todos os jornais de quarta-feira (25/6). Com a decisão, o Exército retirou seus soldados da favela, onde, no dia 15 de junho, um grupo de onze militares entregou a traficantes de um morro vizinho três jovens moradores, que foram posteriormente torturados e mortos.

A medida oferece ao Comando Militar do Leste uma solução honrosa para sua retirada do Morro da Providência, onde a relação com os moradores havia se tornado extremamente tensa. De certa forma, também sinaliza que a Justiça Eleitoral está atenta aos abusos cometidos por candidatos nas eleições municipais deste ano.

Os militares trabalhavam na segurança dos operários que faziam a recuperação de 782 moradias populares. Chamada de projeto Cimento Social, a obra foi proposta pelo senador Marcelo Crivella, que faz uso desse tema em campanhas eleitorais desde 2004.

Tudo isso está bem relatado nos jornais de quarta, que registram ainda a frustração e o protesto dos 150 operários que haviam sido contratados para as reformas. O que não está bem esclarecido é que o senador Crivella, candidato anunciado a prefeito do Rio, também pode ter usado a obra – e as verbas públicas alocadas para ela – em benefício de uma organização religiosa.

Apuração inconclusa

Crivella é bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do fundador da seita, Edir Macedo. Uma nota publicada na coluna "Painel" da Folha de S.Paulo informa que Marcelo Crivella mantém um cadastro dos moradores do Morro da Providência, inclusive com informações sobre orientação religiosa. Segundo o jornal, o senador alega que as informações eram necessárias para identificar potenciais beneficiários do projeto Cimento Social. Só não explica o que tem a ver com isso a escolha religiosa de cada eleitor. O Globo observa que o cadastro foi feito pela própria Igreja Universal.

O Brasil vive sob um regime laico, e é vedado aos detentores do poder público privilegiar organizações religiosas. A imprensa poderia ir mais fundo, lembrando que a Igreja Universal tem antecedentes na prática de cercear a liberdade de informação. A organização tentou calar os jornais, alguns meses atrás, com uma sucessão de processos judiciais coordenados, impetrados por seus seguidores em várias partes do Brasil.

A decisão da Justiça, de embargar a obra foi motivada por suspeita de abuso de poder econômico. Mas pode haver mais a ser apurado.

O Ocaso do SBesTeira

PANTANAL
Recordar é viver

Por Fernando Schweitzer em 24/6/2008

Recordar é viver. Creio que esse seja o mote hoje de Senor Abravanel, proprietário do canal 4 de São Paulo. Da absurda reciclagem do programa Silvio Santos, àquele do "Quem quer dinheiro", que até fez crescer por duas semanas o cálido ibope do SBT nesta fase atual.

Mas, para "variar", o patrão, como era comumente chamado por seus jurados do Show de Calouros, vide década de 1980 à 90, com suas "campanhas publicitárias revolucionárias, trouxe-nos mais uma piada de seu arsenal. Depois de "A concorrência vai tremer" – só se for de rir – temos a "Arma Secreta".

O que seria essa tal arma secreta? Seria algo como o Show do Milhão, que tinha como merchandising "Os 28 dias estão chegando". E ninguém tinha a menor noção de que vinte oito dias Seu Sílvio estava falando. O ícone mor da TV brasileira, creio estar um tanto quanto gagá. Naquela ocasião, a média-dia do SBT era de 12 pontos; hoje é de 5. Em suma, menos credibilidade e menos pessoas que poderiam repercutir tais campanhas de divulgação alternativa. Sendo que se fala de tudo nela, menos do programa a ser lançado.

Polêmicas e ações

Quem não leu nenhum dos milhares de blogs sobre TV, nem colunas especializadas como a "Zapping" ou "Outro Canal", deve ter ficado em choque ou no mínimo teve uma grande surpresa. Sem anúncio prévio da mesma, o SBT começa a reexibir a novela Pantanal, grande clássico da TV Manchete, reprisada duas vezes pela a emissora. Lembrando que a TV Manchete fechou as portas exibindo a trama de Benedito Ruy Barbosa. Barbosa que, na época, era da poderosa, mas só escrevia para o horário das 6, e teve na ousada Manchete a oportunidade de estréia no horário nobre.

A lendária Pantanal, que batia a Rede Globo com assustadores 40 pontos, contra 20 da Vênus platinada, foi o maior susto até hoje que sofreu a emissora dos Marinho.

Em um momento de crise é difícil se ousar, mas também não é preciso apelar. A falta de um mínimo de audácia, que antes sobrara ao Complexo Anhangüera, hoje lhe falta. Mas a surpresa foi que, mesmo desacreditado, o velho patrão acertou, em termos. A média no horário saltou de 3 para 7 pontos na estréia da arma secreta, no segundo dia passou a 10 com picos de 12. A Record, que festejava seus 20 pontos no horário nobre contra a sua arqui-rival, arregalou os olhos.

Fora por hora só um alarme falso, a semana de estréia, seria re-re-re-re-estréia de Pantanal fechou em 8 pontos. Em meio a polêmicas devidas a ações movidas por atores hoje globais novamente e que, à época na geladeira, viram na Manchete a chance de reerguerem as carreiras do ostracismo, para que não seja exibida Pantanal.

Viva a falta de criatividade

A Globo hoje amarga a sua pior média em uma trama das 8 da história, cercada por dois fantasmas no mesmo horário, um do passada e outro do presente. Cercada pela extremamente criticada pela mídia, principalmente veículos ligados às organizações Globo, Os Mutantes. Que virou tema até do blog de Zeca Camargo: "Vi na internet notícias `alarmantes´ de que A favorita havia estreado com uma das piores médias de audiência para aquele horário. Para mim, fã incondicional de novelas – e particularmente fã do trabalho de João Emanuel –, essa informação só tinha atiçado minha curiosidade. O que estava acontecendo? O que estava `roubando´ essa audiência potencial da nova novela? Por que o público estava se comportando dessa maneira? Será que a trama de A favorita não estava sedutora o suficiente? Na sexta-feira, então, durante um intervalo de A favorita, eu zapeei para `Os mutantes´..." – questiona em seu blog. E por outro de Pantanal, a mesma que ao revelar Cristiana Oliveira, hoje no Projac, fez a concorrência global tremer.

Reprises, definitivamente, hoje são um filão de mercado, meio à crise velada da economia brasileira, que sobe juros e cresce 2 a 3% ano, enquanto a Argentina e Venezuela crescem quase 10%. Até aí, tudo bem. A TV a cabo vive de 70% de sua "caríssima e requintada programação" com reprises. Algumas reprises da Globo no Vale a Pena Dormir de Novo, mais assistidas que a eterna Malhação e mesmo que sua primeira faixa de novelas. Globo News e Record News, eu recomendo que sejam assistidas de três em três dias, para que você não decore o que será dito nas reportagens.

Mas se a maior audiência da linha de shows da ainda líder é a recauchutagem de A Grande Família e Os Normais, voltará logo a grade pra salvar as sextas-feiras que vexaminosamente têm perdido para o Câmera Reprise Record há meses. Por que Silvio Santos não poderia reprisar Pantanal? Creio que ao menos deve fazer mais tempo que passou Pantanal pelo última vez que Cabocla, o retorno, também de Benedito.

Recordar é viver, e viva a falta de criatividade na TV.

Boa propaganda de bom produto

PROGRAMAÇÃO DE TV
Um aliado da classificação indicativa

Por Roberta Lage em 24/6/2008

Já está no céu, ou melhor, no ar, uma campanha publicitária de uma TV a cabo que vende o dispositivo de bloqueio como um de seus principais serviços. De forma inteligente e criativa, características de um mercado que briga para chamar a atenção do consumidor, a propaganda apresenta aos telespectadores um recurso que pode ajudar os pais a controlarem aquilo que seus filhos assistem na televisão: o dispositivo de autocensura.

A situação criada pelos publicitários mostra uma criança assistindo sozinha à programação televisiva quando é surpreendida por um aviso que diz: "O próximo programa contém cenas de sexo, nudez e violência – proibido para menores de 18 anos". Ao invés de trocar o canal ou desligar a televisão, o menino sai correndo da sala em direção ao telefone e espalha a informação para seus amigos que, curiosos com aquele conteúdo proibido, ficam motivados a acessar tal programa. A locução final do comercial vende o serviço em questão com o seguinte texto "Na boa! Não vai ser um aviso na tela que vai impedir o seu filho de assistir um programa impróprio! TV é ter autocensura com senha e poder controlar o que seu filho assiste."

Aviso é para informar

Os publicitários foram criativos, venderam bem o produto e ainda divertiram o telespectador. Conseguiram mostrar que a empresa se preocupa com as crianças e adolescentes e querem ajudar as famílias a protegerem seus filhos de entrarem em contato com conteúdos inadequados.

Na boa?! Essa é exatamente a intenção do Ministério da Justiça, ao exercer a Classificação Indicativa: empoderar as famílias diante daquilo que crianças e adolescentes assistem na televisão. O aviso na tela, citado na locução da propaganda e que pode ser visto na programação das emissoras (menos da publicidade, jornalísticos, esportivos e propaganda eleitoral), é uma exigência do Ministério da Justiça realizada pela Classificação Indicativa, que informa para que faixa etária determinado programa não é recomendado como forma de garantir preceitos da Constituição Federal e dispositivos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O texto de locução está correto: não é um simples aviso na tela que vai impedir as crianças de assistirem conteúdo impróprio. O aviso está lá para informar. Quem deve proibir ou liberar é a família. Esse é o ponto. Os dispositivos de bloqueio são aliados, e não concorrentes da Classificação Indicativa.

Forma de proteção

Falar de Classificação Indicativa já foi mais polêmico. No entanto, apesar de alguns objetivos desta atividade já estarem bem claros, uma discussão ainda se mostra presente: a vinculação horária e etária – tópico que já foi alvo não só das emissoras de TV, como da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), e esteve presente até em discussões do Supremo Tribunal Federal e mais recentemente nos debates sobre o fuso horário.

É importante sublinhar que a determinação de vinculação, expressa nas portarias 796/2000, 264/2007 e 1.220/2007 do Ministério da Justiça, que dispõem sobre a Classificação Indicativa da TV aberta, é uma exigência do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que determina que o Estado, junto com a sociedade e com as famílias, deve proteger as crianças e os adolescentes de conteúdos inadequados.

A vinculação disposta na portaria do Ministério da Justiça estabelece que, entre 6h e 20h, horário de proteção da criança e do adolescente, só podem ser exibidos programas classificados em qualquer horário como livres para todos os públicos; a partir das 20h, programas inadequados para menores de 12 anos; depois das 21h, programas inadequados para menores de 14 anos; após as 22h, programas inadequados para menores de 16 anos; e às 23h, programas inadequados para menores de 18 anos.

É necessário lembrar que essa vinculação é válida apenas para as emissoras abertas. Informar o conteúdo de audiovisuais e indicar a que faixa etária ele não é recomendado é uma das formas para proteger crianças e adolescentes de conteúdos considerados inadequados quando os pais não estão em casa. Nesse caso, a vinculação procura funcionar como o "dispositivo de bloqueio" para as famílias que têm acesso apenas às TVs abertas.

Polêmica e garantia dos direitos

Por possuir meios efetivos de controle de programação pelos pais – incluindo o cancelamento da assinatura e dispositivo de bloqueio –, a programação da TV por assinatura não segue a vinculação entre faixa etária e horária. Mesmo assim, essas emissoras devem informar aos pais a classificação indicativa oficial de cada programa para que eles conheçam previamente a classificação atribuída e decidam sobre o acesso de crianças e adolescentes a tal conteúdo.

Espera-se que, com o advento da TV digital, novas ferramentas de bloqueio estejam também disponíveis para as TVs abertas. Desta forma, não só a polêmica em torno da Classificação Indicativa tomará outro rumo, mas principalmente a garantia da proteção aos direitos das crianças e dos adolescentes poderá ser efetivamente uma realidade.

Analógicos na Mira

Anatel adia fim dos celulares analógicos

GERUSA MARQUES - Agencia Estado

BRASÍLIA - A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) adiou por prazo indeterminado o fim dos celulares analógicos. A previsão da agência era de que esses aparelhos, que são cerca de 11 mil em todo o País, só funcionariam até hoje, mas a Anatel decidiu suspender temporariamente a decisão para evitar que os usuários desse serviço ficassem sem comunicação. As empresas de telefonia são obrigadas a trocar, de graça, o aparelho analógico por um celular digital, mas estão encontrando dificuldade para substituir as redes e todas as antenas antigas.

A sobrevida dada aos celulares analógicos está em ato da Anatel, publicado hoje no Diário Oficial da União. A medida vale enquanto durar o processo de consulta pública de uma outra proposta, que é a de substituir, dentro de um ano, os telefones fixos de áreas remotas do País, chamados de Ruralcel e Ruralvan. Esses telefones também são analógicos e, apesar de serem fixos, usam as redes da telefonia celular. Não há data prevista para o fim deste processo de consulta pública.

Para tomar a decisão de prorrogar o prazo, a Anatel considerou também o fato de que existem antenas analógicas da telefonia celular em lugares que não são cobertos pela tecnologia digital e, portanto, não poderiam ser desativadas até que fossem substituídas por outras, de tecnologia digital. O objetivo da Anatel é garantir que a migração ocorra sem transtornos aos usuários. O maior problema dos celulares analógicos é que eles são mais suscetíveis a fraudes, como a clonagem. Hoje há no País um total de 130 milhões de celulares em operação.

Programa Online para Deficientes Visuais

Ferramenta online garante acesso de deficientes visuais a qualquer PC

Por Redação do IDG Now!
Publicada em 30 de junho de 2008 às 12h27

São Paulo - WebAnywhere transforma texto em voz e não precisa ser instalado, eliminando restrições de acesso dos deficientes a PCs públicos.

A Universidade de Washington revelou, na sexta-feira (27/06), a ferramenta gratuita WebAnywhere, que auxilia os deficientes visuais a navegarem na internet em qualquer computador.

O software está em fase alpha e funciona como um serviço online, cuja característica é semelhante aos leitores de tela. O WebAnywhere transforma o texto escrito em voz eletrônica.

> Deficientes visuais ainda têm obstáculos em tecnologia

Como não requer instalação, os deficientes não enfrentam problemas de acessibilidade em PCs públicos - basta se conectar ao site do WebAnywhere e navegar.

Os pesquisadores ainda planejam inserir recursos no software, como a alteração da velocidade de leitura do texto.

Até agora, o ‘leitor’ só funciona em inglês. Um desenvolvedor da China, contudo, já se interessou em desenvolver uma versão para o chinês.

Os exageros da beleza

Especial - Veja
Quando o belo ganha  a máscara da plástica

Bem feitas e bem indicadas, as cirurgias estéticas  representam um ganho para a auto-estima. Mas a  falta de bom senso está à vista de todo mundo


Anna Paula Buchalla

Foto Claude Gassian/Contourphotos/Getty Images
 

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Em profundidade: Beleza e boa forma

Pouco tempo atrás, a escritora americana Stacy Schiff desfrutava uma linda tarde ao lado de um amigo francês que visitava Nova York pela primeira vez. No fim do dia, porém, ele mostrou-se intrigado. Queria saber o que havia acontecido com as pessoas mais velhas na cidade. Seus rostos eram esticados demais, lustrosos demais. Em Paris, disse ele, os velhos pareciam velhos – e não havia nada de errado nisso. A idade do amigo francês de Stacy: 8 anos. Sim, até mesmo uma criança mais observadora pode perceber que algo de estranho vem ocorrendo. E não só em Nova York, é claro. Basta ir a shoppings e restaurantes de qualquer grande cidade brasileira, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, para deparar com pessoas de pele alaranjada (sessões de bronzeamento artificial podem dar esse efeito), maçãs do rosto salientes, testa estirada, lábios inflados e dentes branquíssimos, de uma alvura inexistente na natureza. É um contingente que, pelo jeito, tende a aumentar, graças aos avanços técnicos e ao barateamento dos procedimentos estéticos. Ficou mais fácil, enfim, fazer uma intervenção atrás da outra – e isso dá vazão à obsessão doentia pela manutenção da beleza e juventude. "O resultado dessa obsessão são bizarrices produzidas por falta de bom senso não só dos pacientes, como dos próprios médicos", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica – Regional São Paulo, João de Moraes Prado Neto.

Não há nada de errado em querer consertar uma falta de acabamento congênita, melhorar a silhueta castigada pelo excesso de comida e pelo sedentarismo ou atenuar as marcas do tempo. É uma forma perfeitamente compreensível e legítima de conservar (ou restaurar) a auto-estima. Um nariz menos adunco, uma ruguinha cancelada, uns quilinhos aspirados – e eis que a beleza deixa de ser apenas a promessa de felicidade, para citar a frase do escritor francês Stendhal. A questão é quando se exagera na dose. Tem-se aí uma patologia. Pessoas que não se cansam de encontrar defeitos ao espelho (na maioria das vezes, inexistentes) e, para corrigi-los, perseguem compulsivamente um padrão estético inatingível sofrem do que os médicos chamam de transtorno dismórfico corporal. Descrito em 1987 pela Associação Americana de Psiquiatria, o distúrbio, nos casos mais graves, causa ansiedade e depressão profundas – e pode levar a pessoa a deformar-se nas mãos de cirurgiões inescrupulosos.

Fabiano Accorsi
"Há dois anos, animada com uma série de fotos ‘antes e depois’, resolvi fazer uma bioplastia (preenchimento à base de uma substância definitiva, o PMMA). Quem fez as aplicações foi uma ginecologista, indicada por uma amiga. Ela injetou o produto nas maçãs do rosto, no maxilar e na ponta do nariz. Na hora, até achei que ficou bom. Porém depois meu rosto inchou, sobretudo as maçãs. Todo mundo notava que eu estava estranha. Eu justificava dizendo que havia engordado. Tentei desfazer o preenchimento, no que fui desaconselhada por um cirurgião plástico. Ele me explicou que havia o risco de o produto vazar. Fiquei desesperada. Hoje estou melhor, com o rosto menos inchado, mas ainda me incomodo quando olho no espelho. Tenho muitas dores nos locais das aplicações e muita enxaqueca. Não aconselho ninguém a fazer o que eu fiz."
Adnea Ali Fakih, 50 anos, socióloga

Um estudo inédito conduzido pela médica Luciana Conrado, com 350 pacientes da dermatologia do Hospital das Clínicas, de São Paulo, constatou que 14% deles apresentavam o problema. Nos consultórios dos plásticos, a incidência fica em torno de 10%. Há vítimas de dismorfia que chegam a submeter-se a nove cirurgias de nariz. Existem ainda aquelas que praticam uma espécie de turismo médico, batizado pelos especialistas de "doctor shopping": rodam de consultório em consultório em busca de sugestões sobre o que deveriam mudar em sua imagem. "É uma seqüência sem botão de desligar: o paciente sempre acha que o que fez é pouco", diz o psicanalista Niraldo de Oliveira Santos, da divisão de psicologia do Hospital das Clínicas. "Para ele, o corpo é um rascunho onde tudo pode ser experimentado."

Como ninguém faz nove plásticas de nariz sem que haja um cirurgião disposto a cometer excessos, tem-se aí um duplo problema. "É a pior combinação: o paciente que quer fazer tudo somado ao médico sem escrúpulos que o submete a procedimentos incontáveis e desnecessários", diz o dermatologista Guilherme de Almeida, do hospital Sírio-Libanês, de São Paulo. Ele próprio já conduziu uma paciente até um consultório psicológico, porque ela simplesmente não se convencia de que não precisava fazer mais nada no rosto. A terapia não ultrapassou três sessões. A paciente, que nunca mais apareceu no consultório de Almeida, provavelmente deve ter achado outro doutor que lhe satisfizesse as neuroses. "Tais pacientes gastam fortunas com tratamentos estéticos sem se dar conta de que isso pode causar-lhes defeitos irreversíveis", diz a médica Luciana Conrado.

A dismorfia manifesta-se com mais freqüência na dermatologia por causa dos procedimentos menos invasivos, com resultados mais imediatos e recuperação mais rápida. O tratamento do distúrbio consiste em terapia associada ao uso de antidepressivos e antipsicóticos. Nos Estados Unidos, um paciente com dismorfia leva, em média, doze anos para buscar ajuda especializada. Nesse meio-tempo, o maior risco que ele corre é cair nas mãos de um profissional mal-intencionado. É esse tipo de médico que lhe dá a chancela para puxar, esticar, levantar, tirar e colocar próteses, sem que haja necessidade real para tais intervenções. Tamanho é o poder de convencimento dos médicos que está em curso um novo fenômeno no universo das cirurgias cosméticas: o do tratamento preventivo. É uma maneira de abocanhar um filão de gente muito jovem, que nem deveria estar pensando em Botox ou plástica. Moças com pouco mais de 20 anos agora aplicam injeções de toxina botulínica na testa para prevenir as futuras rugas de expressão. Mulheres de 35 anos submetem-se a liftings – chamados eufemisticamente de mini-liftings, embora nenhum procedimento que requeira anestesia, corte e descolamento da pele possa ser considerado míni. Antes dos 40 anos também, muitas fazem os primeiros preenchimentos. O argumento por trás do tratamento preventivo é mexer um pouco já para evitar grandes intervenções lá na frente. O resultado? Mulheres de 30 anos que se parecem com mulheres de 40 tentando aparentar 30. Esquisito? Sim, esquisitíssimo, mas é o que vem ocorrendo. "Quanto mais intervenções são feitas, mais rígida fica a pele. A paciente adquire as feições de uma estátua, deixa de ter uma expressão natural", disse a VEJA o médico francês Yves-Gérard Illouz, o inventor da lipoaspiração. Ficam todos – porque há inúmeros homens que se enquadram nesse caso – assustadoramente iguais uns aos outros. Como se tivessem saído (com defeito de fabricação) da mesma linha de produção. É a máscara da plástica.

"Desconfie de médicos que produzem pacientes com rosto parecido", escreveu em seu livro Beauty Junkies (Viciados em Beleza) a jornalista Alex Kuczynski, colunista do jornal americano The New York Times. Alex fez sua primeira incursão no mundo da plástica aos 28 anos, com uma aplicação de Botox. Aos 30, já havia se submetido também a uma lipoaspiração e a uma cirurgia para remoção de bolsas de gordura sob os olhos. Alex é uma bela mulher em seus 40 anos. Conseguiu perceber a tempo que poderia iniciar uma viagem sem volta em busca da perfeição – tendo como destino final o desastre completo. No livro, ela faz outro alerta: as adolescentes estão sendo induzidas à dismorfia. É uma preocupação fundamentada. Entre as colegiais americanas, próteses mamárias viraram presente de formatura. Elas almejam ser uma Pamela Anderson ou uma Victoria Beckham – magras e peitudas. A indústria das celebridades, evidentemente, tem um papel nefasto no estabelecimento de padrões estéticos atingíveis apenas por meio de plásticas ou intervenções dermatológicas. Para não falar de reality shows como Extreme Makeover e Dr. Hollywood, que fazem a transformação radical parecer algo tão simples quanto mudar o corte do cabelo. Nesses programas, passa-se ao largo dos riscos de complicações, da dor e do desconforto do pós-operatório.

Não é incomum que um cirurgião plástico acredite ser, além de médico, um artista capaz de operar prodígios. Há páginas de médicos na internet que se anunciam como "alquimistas da estética", seja lá isso o que for. Assim, é comum um paciente entrar na sala de operação para procedimentos pré-acertados com o cirurgião e sair de lá com a notícia de que "aproveitando a anestesia" ele foi um pouco além. "Em uma das lipoaspirações que fiz, entrei para corrigir a barriga e o culote, mas o médico acabou tirando gordura das costas e da parte interna das coxas", conta a paulistana Márcia Sanchez, de 42 anos, duas lipos, uma plástica no abdômen e três rinoplastias. "Em outra ocasião, pedi apenas para diminuir um pouco o dorso do nariz e o cirurgião levantou a ponta, deixando-o arrebitado contra a minha vontade", diz.

Por vender a idéia de que é possível ter o corpo dos sonhos, o rosto perfeito, a cirurgia plástica é uma das áreas mais lucrativas da medicina. Isso é bom porque favorece o desenvolvimento constante de novas tecnologias. E os avanços tornaram os procedimentos acessíveis a uma quantidade enorme de pessoas. O lado sombrio é que a busca por um ideal de beleza inatingível e pela eterna juventude alcançou proporções preocupantes. "A popularização da cirurgia plástica nos últimos anos motivou tanto os cirurgiões quanto os pacientes a pensar no corpo não como algo que pode, mas que deve ser melhorado", disse a VEJA o professor de comunicação John Jordan, da Universidade de Wisconsin-Milwaukee, nos Estados Unidos. Em uma cultura obcecada pela aparência (na verdade, por uma aparência pasteurizada) e juventude, as pessoas que não têm a intenção de mexer no próprio corpo passam por desleixadas. Esse tipo de distorção já motivou campanhas, entre os americanos, contra a obsessão pela plástica. Em uma delas, uma mãe exibe um cartaz ao lado das duas filhas, com a seguinte frase: "Eu não preciso de cirurgia plástica porque quero que minhas filhas se pareçam comigo".

Conselho dos médicos sérios para mulheres e homens que querem melhorar o aspecto físico, mas sem vestir a máscara da plástica? "A chave do rejuvenescimento está em evitar mudanças drásticas, principalmente no rosto", diz o cirurgião Prado Neto. Antes de mais nada, é preciso entender que o conceito de belo envolve proporção, simetria e equilíbrio. A beleza do rosto de uma mulher está nas maçãs salientes, nos lábios carnudos, nos seios razoavelmente fornidos. No rosto de um homem, ela está expressa principalmente na ossatura angulosa. Mas, como a face não é feita de estruturas isoladas, sua harmonia está no conjunto. Às vezes, uma rinoplastia para reduzir o nariz é uma péssima idéia. Dependendo do formato do rosto, o nariz pequeno destrói a simetria facial, ao criar a impressão de que os olhos ficaram próximos demais. Os famosos lábios de Angelina Jolie são resultado de uma combinação harmoniosa. No rosto de outra pessoa, podem ser – e são em grande parte das vezes – um desastre estético. É possível chegar enxuta (ou enxuto) aos 60 anos, sem destruir a beleza do tempo vivido. Feio é querer aparentar vinte anos a menos. Essa história nunca acaba bem. A menos, é lógico, que você ache a máscara da plástica um ótimo padrão estético.

 

 

Contra as mulheres-travestis


Ernani d`Almeida
O cirurgião Carlos Fernando Gomes de Almeida: "Ninguém vai a um cardiologista e pede duas pontes de safena e uma mamária. Por que fazem isso no consultório de um plástico?"

O cirurgião plástico fluminense Carlos Fernando Gomes de Almeida, de 50 anos, é um dos mais requisitados do país. Boa parte da fama que conquistou se deve à sua técnica de lifting facial. Conhecido como "doutor mão leve", ele tem horror a exageros. Almeida deu a seguinte entrevista a VEJA.

O que pode e o que não pode no consultório de um cirurgião plástico? Envelhecer mal, com muitas rugas, não combina com o padrão da atualidade. Por isso, acho compreensível a ansiedade das mulheres na faixa dos 50 anos que me procuram. A maior parte delas não está correndo desesperadamente atrás da juventude. Só quer envelhecer bem. Mas há um tipo de paciente que não sabe exatamente o que quer. Algumas se sentam na minha frente e me perguntam o que devem fazer. Não é assim que funciona.

E como é que funciona? O ideal é que a paciente me diga o que a incomoda exatamente e aí, sim, eu avalie se o que ela quer é tecnicamente viável. Na maioria das vezes, não é. Mas o pior mesmo são as pacientes que vão aos consultórios como quem vai ao supermercado. Acham que plástica é como um produto sujeito à sua própria escolha e que cabe ao cirurgião executar os seus desejos, sem discussão. Ora, ninguém vai a um cardiologista e pede duas pontes de safena e uma mamária. Por que fazem isso no consultório de um plástico?

A que o senhor atribui as bizarrices que desfilam por aí? Você se refere às mulheres-travestis? Ninguém as critica porque ninguém tem coragem de falar que aquilo está um horror. Se alguém muito próximo, como uma irmã, diz que o resultado não ficou bom, ela acha que é inveja. Surgiu até um novo biotipo feminino: ela tem cabelo liso loiro, nariz mínimo, boca grande, seios fartos e bumbum grande. E usa calça colada. São todas iguais. Parecem saídas da mesma fábrica. O curioso é que os próprios travestis estão fazendo o caminho inverso dessas mulheres. Eram absurdamente exagerados, com próteses grandes e lábios enormes, e agora tentam se aproximar das curvas e dos traços femininos normais.

Mas são os médicos que estão no comando dessa linha de produção. Os criadores dessas criaturas são os médicos, não há como negar. Se todos se ativessem a um padrão estético mais harmônico, as mulheres-travestis não existiriam. O que ocorre é que falta a muitos um critério de beleza mais apurado. Há também os que fazem o que as clientes pedem, não importando o resultado, porque só se interessam pelo pagamento. Não lhes falta senso estético, e sim ética.



Entrar na faca e fazer bem à alma

Manoel Marques
Delaine Nicolau: orgulho dos cabelos presos, esticados para trás


Atribui-se ao médico italiano Gaspare Tagliacozzi, um dos pioneiros da cirurgia plástica, a primeira associação entre correção estética e melhora da auto-estima do paciente. "Faz bem ao espírito e à mente", escreveu em seu livro De Curtorum Chirurgia per Insitionem, publicado em 1597. Nele, Tagliacozzi relata com detalhes a técnica que desenvolveu para reconstrução de nariz. A maioria de seus pacientes era vítima de mutilações em duelos.

Os benefícios psicológicos de uma cirurgia plástica, quando bem feita e bem indicada, são mesmo inegáveis. A esteticista paulistana Delaine Nicolau, de 45 anos, sofreu com as orelhas de abano por mais de duas décadas. Na escola, era chamada de Dumbo, Noviça Voadora e Topo Gigio. Apesar de o problema poder ser reparado por volta dos 6 anos, quando a orelha atinge cerca de 80% do tamanho que terá na vida adulta, Delaine só se submeteu a uma intervenção aos 24 anos, quando recebeu seu primeiro salário. "Minha família sempre achou bobagem, dizia que eu era linda e que ninguém iria olhar para minhas orelhas. Mas o fato é que eu vivia me escondendo, usando faixas e lenços na cabeça", diz. "A cirurgia foi libertadora." A primeira coisa que Delaine fez depois da operação foi ir ao encontro dos amigos com os cabelos presos, num rabo-de-cavalo bem esticado.

A influência das intervenções estéticas sobre a auto-estima, no entanto, tem limitações. Recorrer à cirurgia cosmética com o intuito de resolver questões de ordem psicológica mais profunda invariavelmente dá errado. "O cirurgião plástico não deve tocar em pacientes que estão passando por problemas sérios ou por grandes mudanças na vida, como separação ou mudança de emprego", diz José Tariki, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. "É grande a probabilidade de, nessas situações, a cirurgia ser um subterfúgio. Quando isso acontece, o risco de o paciente se arrepender é enorme, mesmo se os resultados forem bons." Na maioria das vezes, os pacientes recorrem ao cirurgião plástico com pedidos pertinentes. "Em 70% dos casos, as solicitações são absolutamente razoáveis", diz o cirurgião plástico João de Moraes Prado Neto.

Lailson Santos
A advogada Simone Machado: auto-estima recuperada


A boa plástica é aquela que passa despercebida. O aprimoramento das técnicas e do instrumental cirúrgico possibilita resultados muito próximos do natural. Há quinze anos, as próteses de silicone, por exemplo, costumavam deixar a mama endurecida. Hoje, isso só ocorre em 5% dos casos. A diferença está na qualidade do implante. As novas próteses são revestidas de uma esponja de poliuretano, material mais bem-aceito pelo organismo. O lifting também passou por grandes mudanças técnicas. Antes, a cirurgia consistia no estiramento da pele, em direção às orelhas – o que conferia aos operados o aspecto de boneca. Agora, além da pele, os músculos superficiais da face são reposicionados. E o estiramento não é mais para o lado, mas em direção ao topo da cabeça, respeitando a anatomia do rosto. Todos esses avanços, é lógico, são anulados quando se parte para o excesso.

Durante parte da adolescência, a advogada paranaense Simone Fernanda Porto Machado, hoje com 36 anos, teve de conviver com um nariz que lhe desagradava. Por causa de um desvio de septo, o dorso era "alto demais", segundo ela. A imperfeição fez de Simone uma adolescente introvertida e retraída. Depois de passar pela rinoplastia, sua vida mudou. Tornou-se uma moça vivaz, alegre. Quatro anos atrás, após duas gestações, Simone voltou à mesa de operação. Queria recuperar os seios da juventude. "Depois de amamentar dois filhos, meus seios murcharam", diz a advogada. "Eu morria de vergonha do meu marido. Só dormia de sutiã." Com 1,64 metro de altura e 51 quilos, Simone hoje carrega (orgulhosíssima) 250 mililitros de silicone em cada mama. No mesmo procedimento, por sugestão do médico, a advogada tirou ainda um pouco de culote e de barriga. Ficou bom.

A cirurgia de embelezamento nasceu das operações reparadoras, como as executadas pelo dottore Tagliacozzi, lá no século XVI. Ela ganhou impulso durante a I Guerra Mundial, diante da escala incomensurável de soldados com danos faciais extensos. Na década de 1920, uma revista feminina americana publicou o primeiro artigo sobre as benesses das intervenções estéticas para o ego. O título "Por que envelhecer? O valor da face", estampado na publicação Ladies’ Home Journal, antecipava as chamadas de capa mais recorrentes das revistas femininas da atualidade.

Demorô!

Máquinas de preservativos devem estar disponíveis nas escolas até outubro
Agência Brasil
Até outubro deste ano, 400 máquinas de preservativos deverão estar disponíveis nas escolas da rede pública. As máquinas já estão sendo construídas por duas escolas técnicas, informou o diretor adjunto do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) e Aids, Eduardo Barbosa.

De acordo com ele, o custo unitário do projeto-piloto é de R$ 400, em média, 40% mais baixo que o valor de uma máquina no mercado internacional. “Em princípio, serão priorizadas cerca de 1.500 instituições que fazem parte do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), mas por meio de um processo de adesão, ou seja, cada escola deve fazer sua solicitação”, explicou o diretor.

Segundo Barbosa, cada escola ficará responsável pela manutenção e segurança da máquina de preservativos, assim como a definição do local que será disponibilizado e da estratégia para monitoramento de retirada dos preservativos.

“A expectativa é de que todas as escolas públicas tenham pelo menos uma máquina. No final deste ano, iremos avaliar o uso e a adequação no ambiente escolar, práticas de informação e orientação em torno disso”, disse o diretor.

Ele explicou que o funcionamento da máquina de preservativo é semelhante ao de uma de refrigerante. O aluno vai ter uma senha ou ficha – que será disponibilizada pela escola – para retirar sua cota semanal de camisinha. A distribuição é gratuita.

Para Barbosa, a máquina vai atender as reivindicações dos jovens que apontaram essa forma de distribuição como menos constrangedora, já que não é necessário dar explicações cada vez que for retirar a camisinha.

A (Falta de) Limites do Politicamente Correto

Garoto não chama colega para festa e causa furor na Suécia


Um menino de oito anos de idade provocou um debate nacional na Suécia por não ter convidado dois de seus colegas para sua festa de aniversário. A escola da criança, na cidade de Lund, no sul do país, diz que ele violou o direito dos colegas excluídos da festa e levou o caso para o Parlamento.

Segundo a diretoria, se os convites são distribuídos na escola, não pode haver discriminação. O pai do menino fez uma reclamação formal junto ao ombudsman parlamentar.

Ele argumenta que as duas crianças não foram convidadas porque uma delas não havia convidado seu filho para a sua festa e a outra havia brigado com ele. O menino distribuiu os convites durante o horário das aulas e quando o professor percebeu que dois alunos haviam sido excluídos, os convites foram confiscados.

"Meu filho ficou muito magoado", disse o pai do menino ao jornal sueco Sydsvenskan. "Ninguém tem o direito de confiscar a propriedade de alguém dessa forma, é como pegar a correspondência de uma pessoa", acrescentou. Um veredicto sobre o assunto deve ser anunciado em setembro, em tempo para o próximo ano letivo no hemisfério norte.

Se vendendo...

Britânico que 'vendeu a vida' no eBay quer passar Carnaval no Rio

Um britânico que vendeu "toda sua vida" no site de leilões eBay quer agora passar um Carnaval no Rio de Janeiro. Ian Usher, 44, pôs à venda sua casa na Austrália, seu trabalho em um loja de tapetes e até seus amigos, a fim de recomeçar do zero após uma separação amorosa.

Um comprador arrebatou o "estilo de vida" do britânico expatriado por pouco menos de 400 mil dólares australianos, ou R$ 615 mil. O leilão começou no dia 22 de junho e no dia seguinte já recebia propostas equivalentes a R$ 1,2 milhão - que entretanto se comprovaram falsas e foram retiradas do ar pelo eBay.

Usher acabou recebendo menos que os cerca de R$ 750 mil que esperava."O preço foi talvez um pouco mais baixo do que eu esperava, mas tudo isso se trata de fazer uma ruptura clara e prosseguir, e é isso que espero fazer", escreveu ele em seu site Alife4sale.com.

"Foi uma experiência absolutamente incrível e divertida. Aprendi muito sobre mim mesmo e sobre o mundo em geral", afirmou.

Carnaval no Rio
Diante do sucesso do leilão na internet, o britânico resolveu continuar postando mensagens para internautas interessados em acompanhar sua vida. Usher criou um novo site - 100goals100weeks.com - no qual pretende contar como anda o progresso de seu próximo desejo: realizar cem objetivos em cem semanas.

O quarto item na lista do britânico é passar o Carnaval no Rio, "ainda sem data definida". Outros incluem ir ao festival da Tomatina, na Espanha, e ver uma comemoração do Dia dos Mortos, no México. "Começo agora a fazer planos para o que vou fazer depois, e estou muito empolgado com eles", escreveu Usher.

Pelas regras, o vencedor levará a casa de três dormitórios do britânico em Perth, no oeste da Austrália, e tudo o que ela contém: carro, moto, jet ski, móveis. Além disso, terá direito a passar por um período de testes na loja de tapetes onde Usher trabalha – primeiro, por duas semanas, depois, por três meses e, se tudo der certo, depois de forma permanente.

Usher também prometeu apresentar o vencedor aos seus amigos. "No dia em que caminhar para fora da minha casa em Perth, sem nenhum bem além de minha carteira e meu passaporte no bolso, o ponteiro começará a correr para o próximo desafio que me impus!"

Excessos da Justiça

Escalada contra a imprensa

Juizes e promotores extrapolam limites do Judiciário

por Roberto Romano

A cidadania brasileira, cansada de lutar contra os desvios do Executivo e do Legislativo, hoje testemunha a instalação do arbítrio em várias ações de magistrados. Alguns juízes e promotores extrapolam os legítimos limites de seu múnus, desprezam os contribuintes e decidem o que as "pessoas comuns" podem ler, ver, ouvir. As desculpas para a censura enunciam a defesa dos costumes, a luta contra a corrupção ou normas emanadas do próprio Judiciário. Assim, magistrados assumem o papel de legislar.

Seria importante rever os momentos inaugurais do Estado moderno para intuir o desvio que se evidencia no Brasil, sobretudo nos atentados à livre imprensa. Os juízes, afirma Bacon ("Of judicature"), "devem recordar que seu ofício é "jus dicere", e não "jus dare". Interpretar a lei, e não legislar. O dever do juiz é suprimir a força e a fraude, pois a força é mais perniciosa quando aberta, e a fraude, quando oculta e disfarçada. Os juízes devem se acautelar contra as construções sistemáticas e inferências, pois não existe tortura pior do que a tortura das leis. (...)

Tudo o que estiver além disso é demasiado e procede da glória, do comichão de falar, da impaciência em ouvir, da memória curta ou da falta de atenção". A escalada rumo ao arbítrio de algumas togas não é de ontem. Ela se une aos atos de promotores que, por excesso de zelo ou desejo de potência, reivindicam para si mesmos a tutela da cidadania.

Em 2005, o procurador Bruno Acioli tenta quebrar o sigilo jornalístico, sob o pretexto de combate à corrupção. Neste espaço (3/12/05), ele transforma um mandamento constitucional ("A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição", art. 220) em via para flexibilizar o sigilo jornalístico.

Evoca o autor o caráter sistemático das garantias democráticas: "(...) a liberdade de manifestação de pensamento, o direito à informação e o sigilo de fonte estão intimamente ligados. Conseqüência disso é que não haverá que se falar em manutenção do sigilo de fonte todas as vezes em que esse for prescindível ao exercício profissional ou sempre que o indigitado sigilo deixar de atender a sua função social, a saber: garantir o acesso de todos à informação e à liberdade de manifestação de pensamento". Soberano, diz um jurista totalitário, é quem decide sobre a exceção. Perguntemos: quem decide, como decide, por que alguém decide ser a quebra do sigilo prescindível "ao exercício profissional"? Quem decide que o "indigitado" sigilo perdeu a sua função social? O procurador e o juiz?

Ficamos sabendo que existem mentes superiores que decidem sobre a suspensão de direitos, pois o sigilo implica um complexo de direitos que o sustenta. "Inexistem direito ou garantia absolutos. Nem mesmo o direito à vida é ilimitado, haja vista a possibilidade de aplicação da pena de morte na hipótese de guerra" (Acioli). O direito à vida é ilimitado. Quem o nega abre as portas para as violações resultantes. Apelar para a guerra para suspender direitos, quando não existe guerra, é antecipar algo sinistro.

E algo sinistro surgiu como fruto da beligerância contra a imprensa. Revistas e jornais têm sido censurados com base em normas cuja magnitude não é a da própria Constituição. Nas multas à Folha e à revista "Veja", por entrevistas com candidatos à Prefeitura de São Paulo, as sanções se deviam a uma ordem que, reconhecida a sua inconveniência, foi modificada por quem de direito. No caso da censura imposta ao "Jornal da Tarde", a questão é ainda mais complexa.

Voltemos às notas de Bacon, um instaurador do Estado moderno: antes de sentenciar (antes mesmo de denunciar, no caso da Promotoria), a prudência recomenda ouvir os vários segmentos e o próprio autor que editou a norma. Esta, como reconhece o ilustre ministro Ayres Britto, vai contra a democracia, pois o núcleo do regime é o povo, único soberano.

O titular da "maiestas" deve saber, antes de votar, o que pensam e pretendem os candidatos à representação. Discutir plataformas políticas é o mais comezinho dever dos que afirmam servir ao povo. Proibir tal prerrogativa é subverter a essência democrática. E, para entender a liberdade de imprensa no regime democrático, é preciso captar o significado da própria liberdade política.

No verbete "liberdade" da "Enciclopédia" elaborada por Diderot, o dicionário que mais contribuiu para a civilização moderna, o essencial da liberdade está "na inteligência que envolve um conhecimento distinto do objeto da deliberação". Exatamente o que proíbe a norma, agora adaptada. Não seria preciso tanta celeuma. A imprensa apenas segue seu alvo: denunciar a força e a fraude, sobretudo quando elas são ocultas ou disfarçadas. Bastaria, portanto, prudência, respeito pelos cidadãos e por seus direitos. Bastaria que alguns juízes soubessem que sua missão é "jus dicere", não "jus dare".

[Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo deste domingo (29/6)]

Revista Consultor Jurídico, 29 de junho de 2008

Se beber, não dirija!

Em 10 dias, PRF prendeu 296 motoristas por embriaguez
Agência Estado
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) prendeu 296 motoristas e multou 369 nos primeiros 10 dias de vigor da Lei 11.705, que busca impedir que motoristas dirijam após consumir bebidas alcoólicas. Durante a Operação Grau Zero, efetuada nos 61 mil quilômetros de rodovias federais do país entre 21 horas de sexta-feira e 6 horas de ontem, 189 motoristas foram presos e 255 foram autuados por descumprimento da nova lei seca.

Na operação deste fim de semana, as rodovias mineiras apresentaram a maior quantidade de prisões: 34. Os estados do Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul aparecem em seguida, com 29 e 17 condutores detidos, respectivamente. Em Pernambuco, houve 14 prisões, e no Paraná, 13. Os Estados com mais autuados foram Minas Gerais (44), Rio Grande do Sul (37), Santa Catarina (23), Bahia (21) e Paraná e Mato Grosso do Sul, ambos com 20. A ação contou com 700 agentes da PRF.

Para a PRF, os dados apurados revelam o descaso de muitos motoristas com a segurança. "Apesar do endurecimento da legislação, o que se percebe é que grande parte dos motoristas ainda não se conscientizou que álcool e direção definitivamente não combinam", afirmou o diretor-geral da corporação, Inspetor Hélio Cardoso Derenne, em nota. Atualmente, a PRF dispõe de 500 aparelhos para medir o nível de álcool consumido pelos motoristas. A intenção é dotar todas as duas mil viaturas com o equipamento nos dois próximos anos.

Pipocas ao Celular!!!

Olhem só o que os celulares fazem com as pipocas!!! Imaginem com seus cérebros!!! Surpreso

http://sorisomail.com/email/1963/como-fazer-pipocas-com-telemoveis.html

Inté.

Sopas para o Inverno

Sopa de Legumes 
  
Ingredientes:
 
- 1 batata pequena
- 1 cenoura
- 3 colheres (sopa) de repolho picado
- 2 colheres (café) azeite ou óleo
- 1 pitada de sal
 
Preparo:
 
Cozinhe os vegetais em 200ml (um copo) de água. Bata tudo no liquidificador. Nos supermercados você também encontra sopas pouco calóricas em porções individuais.
Calorias: 56 kcal
Rendimento: 1 porção
 
Sopa Cremosa de Palmito
 
Ingredientes:
 
- 250g de palmitos em conserva
- 1 colher (sopa) de margarina light
- 1 cebola média ralada
- 1 dente de alho amassado
- 2 colheres (sopa) de farinha de trigo
- 3 xícaras (chá) de caldo de galinha
- 1 xícara (chá) de leite desnatado
- sal e pimenta a gosto
- cubinhos de pão torrado
- pedaços de palmito para servir
 
Preparo:
 
Aqueça a margarina light, refogue o alho, a cebola e junte os palmitos. Cozinhe por 3 minutos. Acrescente a farinha de trigo, mexendo bem. Lentamente, junte o caldo de galinha, sempre mexendo. Deixe levantar fervura e cozinhe por 10 minutos. Deixe a mistura amornar e bata no liquidificador. Junte o sal, a pimenta (opcional) e o leite . Deixe ferver por 5 minutos. Coloque em uma sopeira, sirva com cubinhos de pão torrado e pedacinhos de palmito.
Calorias por porção: 62 kcal (1 concha média)
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 30 minutos
 
Sopa de Tomate com manjericão
 
Ingredientes:
 
- 1 colher (sopa) de margarina light
- 1 cebola média picada
- 2 dentes de alho picados
- 500g de tomate sem pele e sem sementes maduros, picados
- 4 xícaras de (chá) de caldo de legumes
- 2 colheres de (sopa) de manjericão picado (pode ser desidratado)
Preparo:
Aqueça a margarina light em uma panela média, junte a cebola e o alho e refogue até que fiquem levemente dourados. Acrescente o tomate picado, o caldo de legumes e deixe ferver. Cozinhe com a panela tampada por cerca de 10 minutos. Acrescente o manjericão e bata no liquidificador até obter um creme homogêneo. Após isso é só servir.
Calorias por porção: 50 kcal (1 concha média)
Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo: 20 minutos 
 
Sopa Vichyssoise
 
Ingredientes:
 
- 1 colher de (sopa) de margarina light
- 4 alhos poró (só a parte branca)
- 1 cebola em fatias
- 5 xícaras (chá) de caldo de galinha
- 2 batatas sem casca cortadas em rodelas
- ¾ xícara (chá) de creme de leite light
- cebolinha verde picada
 
Preparo:
Refogue os alhos poró e a cebola na margarina light. Não deixe dourar, apenas deixe-os transparentes. Junte o caldo e as batatas. Tempere, tampe e cozinhe até que os legumes estejam macios. Bata a sopa no liquidificador, junte o creme de leite e tempere a gosto. Sirva gelada com cebolinhas verde (opcional)
Calorias por porção: 156 kcal (2 conchas média)
Rendimento: 3 porções
Tempo de preparo: 30 minutos
 
Sopa creme de cebolas
 
Ingredientes:
 
- 2 colheres (sopa) de margarina
- 500g de cebolas cortadas em rodelas grossas
- 1 colher (sopa) de farinha de trigo
- 1 tablete de caldo de galinha
- 1 litro de água fervente
- 2 colheres (sopa) de creme de leite light
 
Preparo:
 
Em uma panela, aqueça a margarina light e refogue as cebolas. Acrescente a farinha de trigo, sempre mexendo, até dourar. Dissolva o caldo de galinha na água fervente e despeje aos poucos sobre as cebolas. Deixe ferver por alguns minutos, junte o creme de leite misturando bem e desligue o fogo. Coloque as fatias de pão no fundo de uma forma refratária, polvilhe com metade dos queijos, coloque por cima o creme de cebolas e, por ultimo, o restante dos queijos. Leve ao forno pré-aquecido (220º C) para gratinar por 20 minutos aproximadamente.
Calorias por porção: 193 kcal
Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo: 40 minutos
 
Sopa de alho poró com batatas
 
Ingredientes:
 
- 1 colher (sopa) de margarina light
- 2 alhos poró cortados em rodelas fina (somente a parte branca)
- 2 tabletes de caldo de legumes
- 4 xícaras (chá) de água fervente
- 1 xícara (chá) de leite desnatado
- 2 batatas grandes cozidas e espremidas
- 100ml de creme de leite light
- sal, se necessário
 
Preparo:
 
Em uma panela, aqueça a margarina e refogue os alhos poro até murcharem. Dissolva o caldo de legumes na água, junte ao refogado e deixe cozinhar por 10 minutos. Apague o fogo, junte o leite, as batatas e mexa bem. Volte a panela ao fogo e deixe levantar fervura. Desligue o fogo novamente e junte o creme de leite, mexendo delicadamente. Prove o tempero e acrescente sal, se necessário.
Dica: Se preferir uma sopa mais cremosa, bata os alhos poró com o caldo de legumes no liquidificador.
Calorias por porção: 137 kcal
Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo: 25 minutos 
 
Creme de Agrião
 
Ingredientes:
 
- 2 colheres (sopa) de margarina
- 1 cebola pequena picada
- 3 xícaras (chá) de agrião limpo (folhas e talos)
- 2 batatas sem casca picadas em cubinhos
- 3 xícaras (chá) de caldo de legumes
- 3 colheres (sopa) de creme de leite light
- ½ copo (125ml) de leite desnatado
- sal a gosto
 
PREPARO
 
Aqueça a margarina, refogue a cebola e as folhas e talos mais tenros do agrião. Quando começar a amolecer, acrescente as batatas e o caldo de legumes e cozinhe por 20 minutos, aproximadamente. Retire da panela e bata tudo no liquidificador. Volte o caldo batido à panela e misture o creme de leite, mexendo sempre. Tempere com sal, aqueça bem e sirva em seguida.
Calorias por porção: 95 kcal
Rendimento: 4 porções
Tempo de preparo: 30 minutos 
 
Sopa de Beterraba
 
Ingredientes:
 
- 1 colher (sopa) de óleo
- 1 cebola média picada
- 3 beterrabas, sem casca, picadas (500g)
- 1 litro ½ de água
- 2 colheres (sopa) de suco de limão
- 1 colher (chá) de açúcar
- 1 tablete de caldo de legumes
- ½ colher de (sopa) de amido de milho
- Sal a gosto
 
Preparo:
 
Em uma panela de pressão grande, coloque o óleo e leve ao fogo alto para aquecer. Junte a cebola e refogue por 4 minutos, ou até ficar transparente. Acrescente a beterraba, a água, o suco de limão, o açúcar e o caldo de legumes por 15 minutos, após o início da fervura. Transfira para o copo do liquidificador e bata até que fique homogêneo. Volte ao fogo alto e adicione o amido de milho já dissolvido em meia colher (sopa) de água, e cozinhe, mexendo sempre, por 1 minuto, ou até encorpar e acrescente o sal a gosto. Sirva em seguida.
Calorias por porção: 70 kcal
Rendimento: 6 porções
Tempo de preparo: 25 minutos
 

Sopa de Iogurte com Pepino
 
Ingredientes:
 
- 1 pepino grande
- 1 cebola pequena picada
- 1 colher (sopa) de azeite de oliva
- 1 ½ tablete de caldo de galinha dissolvido em 2 ½ xícaras (chá) de água quente
- 1limão (cascada ralada e suco)
- 1 ramo de hortelã fresca picado
- 1/2 xícara (chá) de iogurte natural desnatado
- sal e pimenta a gosto
- folhas de hortelã para enfeitar
 
Modo de fazer:
 
Reserve uma ponta do pepino com mais ou menos 4 cm para enfeitar e pique o restante. Em uma panela refogue a cebola no azeite até que fique macia. Junte o pepino picado, o caldo de galinha, a casca e o suco do limão e a hortelã. Deixe levantar fervura e depois, cozinhe tampado por cerca de 20 minutos. Passe a mistura por um processador ou bata no liquidificador e reserve até resfriar. Tempere com sal e pimenta e enfeite com hortelã e as fatias finas de pepino.
Calorias: 55 Kcal
Rendimento: 4 porções
 
Gaspacho
 
Ingredientes:
 
- 6 tomates médios picados sem casca e sem sementes
- 1/2 pepino descascado e picado
- 1 pimentão verde picado
- 1 pimentão vermelho picado
- 1 cebola pequena picada
- 1 dente de alho picado
- 1 xícara (chá) de farinha de rosca
- 2 colheres (sopa) de azeite
- 2 colheres (sopa) de vinagre ou vinho tinto
- 2 xícaras (chá) de suco de tomate
- 1/2 colher (chá) de manjerona seca
- sal e pimenta a gosto
 
Modo de fazer:
 
Bata bem todos os ingredientes, exceto o sal e a pimenta, no liquidificador ou processador. A consistência é espessa, mas se ficar grossa demais, adicione um pouco de água gelada. Coloque em um recipiente e refrigere por duas horas. Quando estiver fria, tempere com sal e pimenta e coloque alguns cubos de gelo. O gaspacho é tradicionalmente servido acompanhado de ovos cozidos picados, pimentão verde e vermelho, pepino e azeitonas pretas, separados em pequenas tigelas.
Calorias: 131 Kcal
Rendimento: 4 porções

Caldo Verde Light
 
Ingredientes:
 
- 6 batatas médias descascadas e cortadas em 4
- 2 tabletes de caldo de galinha dissolvidos em 1 ½ copo de água fervente
- 1 maço de couve-manteiga cortada bem fina
- 2 colheres (sopa) de azeite de oliva
 
Modo de fazer:
 
Cozinhe as batatas no caldo de galinha por 30 minutos. Retire, passe pela peneira e volte ao fogo. Quando ferver junte a couve, abaixe o fogo e deixe por mais 10 minutos. Adicione o azeite e sirva a seguir.
Calorias: 150 Kcal
Rendimento: 8 porções
Tempo de preparo: 50 minutos

Mêdas!

GENOFOBIA

- medo do sexo.

GELIOFOBIA

- medo das gargalhadas.

GAMOFOBIA

- medo do casamento.

HETEROFOBIA OU SEXOFOBIA

- medo do sexo oposto.

HERPETOFOBIA

- medo dos répteis, coisas rastejantes.

HEMOFOBIA OU HEMAFOBIA OU HEMATOFOBIA

- medo do sangue.

HELIOFOBIA

- medo do Sol.

HEDONOFOBIA

- medo de sentir prazer.

HARPAXOFOBIA

- medo de ser assaltado.

HAFEFOBIA OU HAPTEFOBIA

- medo de ser tocado.

HAGIOFOBIA

- medo dos santos ou das coisas sagradas.

HILOFOBIA

- medo das florestas.

HOMOFOBIA

- medo da monotonia ou da homossexualidade ou de se tornar homossexual.

HIPNOFOBIA

- medo de dormir ou de adormecer.

HIPSIOFOBIA

- medo das alturas.

HIPENGIOFOBIA OU HIPEGIAFOBIA

- medo da responsabilidade.

HIGROFOBIA

- medo dos líquidos.